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A revolução do jornalismo chegou aos grandes. O ‘USA Today’, segundo maior diário americano, iniciou na sexta-feira mudanças de alto a baixo.
130 pessoas serão despedidas, 9% do pessoal. A divisão em quatro áreas, um ex-líbris do jornal, dá lugar a uma organização em estrela, com 13 departamentos. Radical é a mudança operacional. "Deixamos de ser um jornal para ser uma empresa de media multi-plataforma", anunciou o presidente David Hunke.
A Redacção passa o papel para segundo plano e aposta tudo na diversidade digital, dos telemóveis aos e-readers, da web à venda a outros retalhistas. Deixem as ilusões de Murdoch e ponham os olhos no ‘USA Today’.

A crónica acima foi publicada no Correio da Manhã (papel e online) este domingo. No Clube de Jornalistas, João Alferes Gonçalves destacou a crónica, dizendo que, na minha opinião, o exemplo do USA Today deve ser seguido pelas grandes empresas jornalísticas.
Sem dúvida que penso isso. Incluindo as grandes empresas jornalísticas portuguesas. Com uma única diferença: despedir um em cada dez funcionários tem um peso menor nos Estados Unidos do que em Portugal (e na União Europeia em geral), pelo que prefiro o método doméstico: ir despedindo ou resolvendo com indemnizações, aos poucos. Como tem vindo a ser feito. Despedir é a parte que até um decisor de média português é capaz de compreender. O que cá falta, decididamente, é tudo o que o USA Today já está a fazer.
Mas tão importante como pôr os olhos no USA Today é tirá-los de Murdoch. Uma vez mais o negociante de influências falha o alvo das operações de papel.
As paywalls não são a solução universal, aplicando-se em casos muito concretos e pontuais. Admito que em Portugal um -- e apenas um -- dos económicos pudesse enveredar confortavelmente por esse caminho. É a imprensa de maior valor para uma audiência que lho sabe dar e está disposta a isso.
E o anúncio de jornais exclusivos para o iPad e smartphones vale o que vale enquanto operação de marketing -- recurso a que Murdoch recorre com êxito garantido, uma espécie de Steve Jobs mas da indústria dos media antigos. Basta-lhes abrir a boca.
Tirando isso, é uma irracionalidade. Está apresentada ao contrário do que se sabe, já, que deve ser uma operação jornalística nos novos media. Murdoch não se incomoda a disfarçar a sua ignorância acerca das mudanças operadas na relação com as entidades antes conhecidas por audiências (ver também aqui). Isto para não continuar a apontar os erros que, estou certo, vão por cá ser copiados por alguns grupos.
Vários analistas de novos media explicaram e comentaram a mexida no USA Today -- que, sendo crucial para o jornal e o grupo Gannett, impactará na indústria americana dos media e por extensão nas congéneres europeias, com destaque para a portuguesa (o modelo do USA Today foi por cá seguido diversas vezes nas últimas 2 décadas).
Deles destaco o artigo de Ken Doctor, autor de Newsonomics: USAT: It´s (about) time for the next re-invention. Respigo: "In business, it’s a strong recognition — finally — that the print business will never come back and is in fact dwindling faster, and that audience and revenue growth is there to be had, but it’s almost entirely digital".
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