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Já o referi aqui: alguns cables são efetivamente notícia. Respondendo à questão que me tem sido repetidamente colocada no Twitter, se eu publicava "aquilo" ou não, sim, publicava o material relativo ao BCP, seguindo a prática jornalística de tentar obter outros ângulos (isto é, procurando ouvir Carlos Santos Ferreira, o banco e até o Governo). Os jornais portaram-se bem aí.
Isso não invalida que a maioria do material seja de fraca ou nula qualidade, do ponto de vista noticioso. Cavaco e o jornalismo macio, por exemplo. Dado o seu impacto em causa própria, os jornais aceitaram a frase literal. Mas, e o contexto? E o significado?
Cavaco Silva também disse no passado, sendo citado à exaustão, que "raramente lia jornais". Ninguém confrontou a discrepância? A opinião sobre o jornalismo de alguém que raramente lê jornais tem importância?
Foram ouvidos os intervenientes na conversa? Cavaco ou com quem ele conversava? Em que contexto o disse: numa roda informal, tentando ser simpático com algum político americano que estivesse a ser particularmente fustigado pela Imprensa? Fazia sentido.
Cavaco quis realmente tranquilizar "os americanos" sobre a "boa imprensa" portuguesa? Tendo memória, tenho alguma dificuldade em aceitar que o homem fustigado violentamente pelo Independente, gozado pelo bolo rei e pela espuma ao canto da boca tenha proferido aquela frase sem ser num contexto específico de "boa conversação". Também o pode ter dito com ironia. Embora nem sempre seja fácil de descodificar, o Presidente tem alguma.
Isto tudo para dizer que fora do clima de orgia informativa que Julian Assange soube tão inteligentemente criar, a maioria dos cables não seria notícia. Nenhum editor lhes pegava. Outra parte não resistiria ao processo jornalístico de confirmação através de outras fontes.
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