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Não resisto a republicar dois pequenos trechos exemplificativos, insistindo na leitura exaustiva dos originais textos de João Lopes no Sound+Vision sobre este mundo com o WikiLeaks.
À medida que avançamos nesta wikilikificação dos media, assistimos à exaltação de uma sociedade maniqueísta, moralmente hipócrita e totalitária, pela parte dos públicos empenhados, que incluem jornalistas e outros regulares emissores.
João Lopes:
* Informação/inteligência. A ideologia libertária que reconhece no WikiLeaks a expressão de um radioso progresso informativo é também a mesma que se empenha, todos os dias, em reduzir a imensidão da informação histórica a um catecismo moralista onde nada mais existe a não ser o mal absolutamente maligno (pré-identificado como um destino) e o bem absolutamente redentor (embora nunca explicitado). Para tal ideologia, fazer história é, antes do mais, praticar um exorcismo que nos liberte da convivência perniciosa com a "América". * O cidadão. Que lugar se atribui, então, ao cidadão? Apenas o de escolher um dos dois lados de um obsceno maniqueísmo. Que valor se atribui, assim, à inteligência do cidadão?
(no terceiro da série)
A estratégia inerente ao WikiLeaks, para mais com os seus muitos"espelhos", exponencia uma componente endémica da nossa paisagem informativa & informática: a replicação incessante, potencialmente infinita, inisinua-se como modelo de legitimação colectiva e, no limite, como teste incontestável de uma verdade absoluta e compulsiva. Encontramos, assim, uma ilusão cognitiva, típica desta idade de twitterização da comunicação humana: quanto mais repetido, mais verdadeiro...
(no segundo da série)
Ler a série completa aqui.
Pensamento: não deixa de constituir um paradoxo interessantíssimo que a democratização do acesso aos meios de comunicação de massas esteja a conduzir, nesta fase, a uma sociedade menos plural -- pelo menos nas suas principais linhas argumentativas e até ideológicas -- do que as sociedades menos mediatizadas do século passado.
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