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quinta-feira, 17 de Maio de 2012

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Informação paga: para começo de conversa
 
Colocado por Paulo Querido 20 Dezembro 2010 Comentários (1)
 

O assunto é tão polémico quanto pertinente. E recorrente. O assunto do preço da informação e de quem, e como, paga para a ter. Na Internet, claro.

Há dias escrevi no meu blog pessoal um pequeno post intitulado ainda o mito da gratuitidade da Internet: um pedido ao Pai Natal onde muito simplisticamente dava a entender que na realidade a informação está longe de ser grátis, o que temos é um evidente desajuste da formulação da economia da informação em rede.

O João Canavilhas reagiu e publicou no Setúbal na Rede, na sua crónica, um desenvolvimento deste assunto. Escreve em Grátis ou não, eis a questão: "quem cobra o acesso à Internet não paga nada a quem produz o que nos leva a pagar o acesso, o que me parece uma grande injustiça".

 Sem prejuízo das outras fontes de receita que os produtores de conteúdos podem e devem procurar obter online, para que se possa manter uma economia funcional no mercado da informação, esta questão tem de ser aprofundada.

Como escreveu ainda João Canavilhas: "mais do que discutir a gratuitidade dos conteúdos informativos, importa encontrar formas de os produtores de conteúdos receberem parte do bolo que está a ser quase integralmente comido pelos fornecedores de acessos à Internet".

Em Portugal a lógica que o mercado parece seguir é a da aglomeração. O Sapo, nomeadamente, tem crescido como um aglomerador de conteúdos. Por um lado, inchou aproveitando o trabalho alheio. Mas por outro devolve valor aos produtores de conteúdos dando-lhes a visibilidade que eles sozinhos não teriam. Porque, no fundo, desistiram deste mercado mesmo antes dele estar constituído.

As contas dessa troca de serviços estão por fazer.

Admitindo, a benefício de conversa, que a parte visível do iceberg -- os pageviews, a publicidade -- está controlada e em muitos casos contratualizada (se os meios acham que perderam com o negócio, pois reformulem os contratos), penso que a parte coberta não está. Quanto vale o tráfego? Quanto poupa um operador por servir aos seus clientes conteúdos que estão dentro da sua infra-estrutura?

Não sei se um modelo de imposição social -- uma taxa obrigatória -- será recomendado. Ou se os grupos de media deviam procurar as respostas fazendo eles as perguntas aos operadores. Sem prejuízo de considerarmos o preço barato ou caro, sei é que o leitor paga uma fatura pelo acesso à informação mas é acusado de a consumir sem pagar aos produtores, quando não mesmo de a roubar. E isso parece-me uma clara injustiça.

 

O consumidor de Internet não paga nada barato, devo dizer. E a tendência não é para embaratecer, ao contrário do que a publicidade quer fazer crer. Um bom consumidor, como se dá o caso de me considerar pessoalmente, paga nesta altura não uma, mas três contas de acesso à Internet.

Além do acesso doméstico normal, integrado com a televisão, pago um acesso diferente por cada aparelho que tenho. Dito por outras palavras, quando leio o Correio da Manhã ou o Jornal de Negócios no computador da sala, estou a pagar por isso um valor à PT, incluído na assinatura mensal; quando vou à capital e consulto o Jornal de Negócios no carro, enquanto espero que a minha mulher saia da Universidade, pago por isso outro valor, no caso à Vodafone. E como agora tenho também a alternativa iPad, sou obrigado a um terceiro tarifário de acesso à Internet (também Vodafone, já agora).

Resumindo: pago três faturas distintas pelo acesso ao conteúdo produzido pelo Negócios, sem que o Negócios veja uma fração de cêntimo de qualquer delas.

Podemos ainda analisar preços ocultos. Quando comprei -- estritamente por dever de ofício -- um exemplar da Visão para ler no meu iPad, paguei duas vezes por ele.

Se comprar a Visão no quiosque, não pago o serviço de montra e os serviços de distribuição e impressão a entidades diferentes. A Visão negoceia com o quiosque, com a distribuição e com a impressão a divisão dos lucros. Estes são tanto maiores quanto o grupo conseguiu controlar mais etapas da cadeia. O grupo que publica a Visão detém a propriedade de toda a cadeia exceto a venda a retalho, que mantém controlada. É nas etapas intermédias que se acumula o lucro. O contributo do valor intrínseco da informação para o lucro é quase sempre ínfimo, muitas vezes negativo e em casos excecionais modesto.

Este modelo não repassou para a Internet. Nesta, os "quiosques virtuais", como que vingando os verdadeiros, sacaram aos media a parte de leão do negócio: as etapas da distribuição. E o seu lucro nem sequer contribui a montante para diminuir o custo da produção da informação.

Agora, eu não penso que os "quiosques virtuais", os agregadores, os pontos de contato com as audiências, façam parte do problema dos grupos media. Muito menos as audiências, como têm dito, implicita e explicitamente, alguns deles. Penso que fazem parte da solução.

Negociar é sempre mais sensato, do ponto de vista da sobrevivência, do que ameaçar. Sobretudo quando temos a posição mais fraca.

» comentários
Ondas na Rede disse a 21-12-2010 às 16h53

O jornal madeirense Diário de Notícias vai passar a ser pago na Internet. A partir de dia


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Diariamente, e em contínuo, são publicados neste blog artigos e e dicas. O diálogo com os leitores do Correio da Manhã (papel e online) é mantido sempre que possível em tempo real, tanto neste espaço como através das redes sociais onde me encontro.

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Paulo Querido Portugal
Olá, o meu nome é Paulo Querido e mantenho este espaço como extensão  em linha de uma coluna no Correio da Manhã. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989.


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