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O PEC da tábua rasa
14 Mar 2011 15:25
Colocado por: Pedro Romano
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Um dos pontos mais curiosos do PEC 4 é o facto de fazer tábua rasa de tudo o que foi apresentado até aqui. Partindo de um défice de 4,6%, o Governo acrescenta medidas no valor de 2,5 e 1,2 pontos percentuais de PIB em 2012 e 2013, de forma a chegar ao fim do ciclo com um buraco orçamental de 2%. Ou seja, o PEC 4 faz um "reboot" do sistema e põe o contador a zeros.

 

A justificação oficial do Governo é a seguinte: até aqui, só tinham sido apresentadas medidas de consolidação para atingir o défice de 2011. As medidas agora apresentadas limitam-se a dar substância a essas metas, preenchendo as lacunas que tinham ficado abertas. Fomos verificar:

 

1) Uma vista de olhos à página 19 do Relatório de Orientação de Política Orçamental, apresentado em meados do ano passado, permite conhecer o impacto acumulado das medidas do PEC 2 até 2013. Na altura, o Executivo já tinha metas de défice de 4,6% do PIB em 2011, 3% em 2012 e 2% em 2013; 

 

2) Depois, é uma questão de acrescentar as medidas do PEC 3 e do PEC 4 à informação do PEC 2; 

 

Os quadros em baixo foram contruídos com base nos dois comunicados feitos à imprensa aquando da apresentação dos vários PEC. O primeiro é relativo ao PEC 3 e o segundo é relativo ao PEC 4. Os quadros identificam o impacto orçamental de cada PEC, separando este impacto por medida e por ano. Na penúltima linha faz-se o somatório dos impactos das medidas. Na última, calcula-se o défice que se deveria verificar caso os impactos previstos se verificassem na prática.

 

 

PEC 3 - Impacto orçamental e défice após medidas

 

 

Ou seja, com o PEC 3 – o que serviu de base ao OE para este ano – e se o PEC se tivesse concretizado na totalidade, teríamos já um défice abaixo dos 3% do PIB em 2011. E chegaríamos a 2013 com um desequilíbrio de apenas 0,9% do PIB. Entretanto, na sexta-feira chegou um PEC 4.

 

 

PEC 4 - Impacto orçamental e défice após medidas 

 

 

Com as medidas do PEC 4, e considerando todas as anteriores, o saldo orçamental passaria a positivo já em 2012.

 

O somatório dos impactos é o gráfico de baixo. Dá-se de barato que, sem quaisquer medidas, o défice manter-se-ia nos 9,3% atingidos em 2009. Mesmo assim o somatório dos três PEC atirava o saldo orçamental de 2013 para um excedente perto de 3% do PIB.

 

 

Fonte:  Governo e PEC IV

 

Há várias explicações para este resultado absurdo:


1) O cenário macroeconómico é pior do que o Governo esperava. As receita de base são, por isso, mais baixas do que estava subjacente aos primeiros PEC, com a despesa a fazer o percurso inverso. É plausível.


2) Algumas das medidas são duplicadas. Ou seja, há impactos que na verdade deveriam ser consolidados. De facto, é o que acontece com algumas das medidas anunciadas no campo dos cortes de despesa social e Serviço Nacional de Saúde (SNS), que já apareciam, sob outro nome, no PEC 1. É pouco transparante.


3) O impacto das medidas foi sobreestimado. Isso parece claro nalgumas medidas, como as que apontavam para uma poupança muito elevada com o simples congelamento de ingressos na Função Pública. A ser verdade é um erro técnico. 


4) Algumas das medidas não foram, ou não vão ser, implementadas. Se assim for então, isso já é batota.


 
COMENTÁRIOS | Inserir Comentário | Comentários (4)

Ebony disse, sábado, 8 de Outubro de 2011 6:05
re: O PEC da tábua rasa

How neat! Is it raelly this simple? You make it look easy.

Daveigh disse, quarta-feira, 5 de Outubro de 2011 17:36
re: O PEC da tábua rasa

Umm, are you really just giivng this info out for nothing?

Vinstrol disse, sábado, 28 de Maio de 2011 5:05
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bebe disse, terça-feira, 15 de Março de 2011 14:35
re: O PEC da tábua rasa

as contas do socrates, são contas à engenheiro....eles já não sabem somar e subtrair. O unico sinal que vêm é o de menos.Mas esta gente andou a estudar aonde? passagens administrativas, só pode. Até uma dona de casa vê que as contas apresentadas ontem só podem estar mal (ou então andam a esconder um grande buraco ao pessoal).

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