t Reestruturar ou não reestruturar - Massa Monetária
 
 
Reestruturar ou não reestruturar
15 Abr 2011 10:50
Colocado por: Rui Peres Jorge
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Os últimos desenvolvimentos da crise estão a conduzir o debate económico para um ponto de alguma raridade. Cada vez mais economistas de esquerda e direita alinham no diagnóstico de que Portugal terá de reestruturar a sua dívida, valendo mais fazê-lo cedo do que tarde. Esta confluência de posições está a deixar muitos responsáveis políticos e económicos do euro numa posição desconfortável, pois empurra-os contra um cenário temível: quais seriam os efeitos de contágio que uma decisão de reestruturação ou renegociação de dívida num país da Zona Euro poderá ter na União Monetária?  "Uma caixa de Pandora", descrevia ontem um quadro técnico do Estado ao Negócios. "É apenas adiar o inadiável", diz Rodrigo Olivares-Caminal, especialista internacional em incumprimentos soberanos.

 

Um dos primeiros "posts" do massa monetária intitulou-se "uma questão de solvência" e chamava a atenção para um número significativo de economistas a desaconselhar a estratégia europeia de resgate, defendendo que o problema dos periféricos, e de Portugal em particular, era uma questão de insolvência. Nesse mesmo contributo recuperámos as contas de Jorge Bateira, nos Ladrões de Bicicletas, onde o economista, com uma simples simulação, evidenciava a insolvência nacional. A restruturação era então tida como inevitável.

 

Os argumentos de economistas como Bateira ou Ricardo Cabral, que o Negócios hoje entrevista, têm sido veementemente refutados pelo FMI, seja para a Grécia, seja para Portugal. Em Setembro, o seu director para os assuntos orçamentais assinou um esclarecedor artigo - sobre a posição oficial do Fundo e sobre a necessidade de o fazer - onde respondeu, argumento a argumento, aos que defendem a reestruturação.

 

Para o FMI, uma reestruturação de grande dimensão teria efeitos muito negativos em termos reputacionais, e não resolveria os problemas de base das economias: desequilíbrios orçamentais exagerados e falta de crescimento. Por isso, recomendavam as actuais políticas de austeridade e reformas estruturais, a receita que vai ser aplicada a Portugal.

 

"O FMI e a EU não estão a conseguir convencer os mercados, alguma coisa mais tem de ser feita" ou "É adiar o inadiável" é a resposta de Rodrigo Olivares-Caminal um argentino, especialista em incumprimentos soberanos. Em entrevista ao Negócios (apenas disponível em papel) não tem dúvidas: a reestruturação/renegociação da dívida vai acontecer na Grécia e em Portugal. Porque é inevitável, e porque é melhor para os dois países.

 

Olivares-Caminal e as conclusões de um estudo académico também hoje analisadas na edição em papel do Negócios revelam que os custos reputacionais para os países que optam pelo em incumprimento por necessidade absoluta não são assim tão grandes. Quanto aos custos económicos versus inevitabilidade de uma renegociação são convincentes as posições de economistas tão liberais como Kenneth Rogoff (ex-economista-chefe do FMI) ou tão intervencionistas como Costas Lapavitsas (um dos responsáveis pelos relatórios do Research on Money and Finance). Mas, então, porque não seguir esse caminho?

 

A resistência parece encontrar força em duas ordens de razões: por um lado nas perdas que seriam impostas ao sistema financeiro num momento de relativa fragilidade da banca. Por outro, no que um quadro técnico do Estado descreveu ontem ao Negócios como a "abertura  de uma caixa de Pandora" na Zona Euro, da qual poderiam sair fugas de capitais, falências de bancos e movimentos violentos e desordeiros de dinheiro, ameaçando, no limite, a própria Zona Euro. Exagero? Talvez (voltaremos ao tema num post em breve). Mas você estaria disposto a arriscar?


 
COMENTÁRIOS | Inserir Comentário | Comentários (4)

Shazia disse, sexta-feira, 30 de Março de 2012 7:02
Shazia

My wife, ironically guoneh named Jessica, had similar experiences. She spent a week in a hospital with the final result of being told her symptoms were psychological. Low and behold, 2 months later, she was found to be 3 months pregnant.There are also drugs, etc, you may be taking that can skew the results.

Massa Monetária disse, quarta-feira, 30 de Novembro de 2011 12:23
Voltar ao escudo

Ao centro Elena Salgado (ministra das Finanças de Espanha, por enquanto) e Mário Monti (novo primeiro ministro italiano) ladeados ontem por Olli Rehn (Comissário Europeu) e Juncker (líder do eurogrupo): é deles que depende

Massa Monetária disse, terça-feira, 17 de Maio de 2011 13:39
Sobre a Grécia, talvez valha a pena olhar para o Uruguai

Nos tempos que correm, é na América do Sul que os países periféricos da Europa parecem encontrar experiências relevantes para enfrentar as suas dificuldades. No caso português, e enquanto se negociava em Lisboa

Massa Monetária disse, terça-feira, 19 de Abril de 2011 17:56
Stark lembra a Portugal: vocês é que pediram ajuda!

Fonte: Jerome Favre/Bloomberg Em pleno processo negociação de um pacote de resgate, Jurgen Stark falou aos portugueses numa oportuna entrevista concedida a Sério Aníbal no Público. O que se lê deve deixar Lisboa

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    Acabou o Frente a Frente. João Galamba e Adolfo Mesquita Nunes criaram o espaço para uma reflexão cativante sobre o papel do BCE. Deve o banco central ser credor de último recurso dos Estados? Leitores juntaram-se ao debate com votos e argumentos: mais de 2600 leituras dos argumentos, contraargumentos e comentários e 1293 votos nos oito dias de debate. O massa monetária agradece a todos.   

 

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