Os economistas estão habituados a falar de falhas de mercado no sector da banca e dos seguros, na educação e em tudo o que tenha poluição envolvida. Em Coronary Capitalism, Kenneth Rogoff avança para domínios menos óbvios: o mercado de bens alimentares, onde uma indústria robusta de produtores de alimentos pouco saudáveis, respaldada por publicitários engenhosos, interage com consumidores pouco informados e sem incentivos para internalizar nas suas decisões os custos que o sistema de saúde terá um dia com as suas coronárias (no Project Syndicate). É apenas mais um de uma longa série de artigos - veja-se este, por exemplo - em que o antigo economista-chefe do FMI expõe uma visão cada mais céptica do sistema de livre mercado. This time is different? Além disso, também estamos a ler:
2. Blaming capitalism for corporatism, por Edmund Phelps e Saifedean Ammous. Um Nobel da Economia defende que as críticas feitas ao capitalismo são, na verdade, críticas a um elemento que tem pouco que ver com ele - o corporatism, ou a captura dos poderes públicos por interesses privados (no Project Syndicate).
3. Too much consultin?, por Robin Hanson. Por que é que as empresas de consultoria são tão bem pagas? E por que é que aceitam elas próprias pagar verbas exorbitantes a "consultores" saídos das universidades? Robin Hanson dá, neste post, uma interessante expliação (no Overcoming Bias).
4. Inequality, Mobility, Opportunity, por Lane Kenwhorty. A desigualdade continua a dar que falar, especialmente os efeitos que tem na mobilidade social. Neste post, Kenwhorthy argumenta que a correlação entre igualdade e mobilidade social pode ser inferior ao que se pensa, e que a mobilidade pode ser estimulada com serviços públicos robustos, mesmo que a desigualdade continue elevada.
5. As talks in Greece continue, investors now worry about Portugal, no New York Times. Uma visão "de fora" do que se passa em Portugal. Vale a pena ler, quanto mais não seja para constatar que a forma como nos vemos é bastante diferente da forma como nos vêem lá fora (no New York Times).
6. Treasury ponders negative interest rates, por Annie Lowrey (no Economix). E se as obrigações do Tesouro americano puderem pagar juros negativos? Annie Lowrey explica como poderia funcionar este esquema, que, ao que consta, está a ser ponderado ao nível do Governo federal.