Inspirada pelas palavras de Eric Cantona, Géraldine Feuillien desenvolveu o apelo online para acabar com os bancos através de levantamentos colectivos
Independentemente do resultado da “corrida aos bancos”, tudo se resumo a “questionar o sistema
A argumentista belga que se tornou activista oferece conselhos em como mudar o sistema bancário
Os bancos na França e na Bélgica podem estar um pouco apreensivos depois de um apelo público para as pessoas retirarem hoje, 7 de Dezembro, o dinheiro das instituições lançado por Géraldine Feuillien, argumentista belga de 41 anos e Yann Sarfati, actor e realizador francês de 24.
Feuillien, co-fundadora do site BankRun2010.com, ficou entusiasmada com as palavras do ex-futebolista Eric Cantona, acessíveis a todos no YouTube, para se fazer uma “verdadeira revolução” e tirar o dinheiro dos bancos para lesionar o sistema bancário.
Quantos pessoas têm de tirar o dinheiro dos bancos para o sistema colapsar?
É impossível fazer uma estimativa porque tudo depende do valor que for retirado. Em qualquer caso, a Europa tem uma falta de liquidez gigantesca; a proporção entre dinheiro real e dinheiro fictício é gigantesca, por isso uma pequena quantidade de pessoas a retirar muito dinheiro pode causar a morte do sistema.
O sistema colapsaria totalmente?
Se o sistema financeiro colapsar na Europa, todo o sistema mundial será afectado.
Quais seriam as consequências do colapso?
O objectivo não é que os mercados acabem esta terça-feira (hoje). Não somos anticapitalistas e sabemos perfeitamente que o capitalismo conseguiu grandes coisas a nível mundial, como permitir um melhor acesso à saúde.
O sistema vai acabar por colapsar e está desequilibrado, por isso independentemente da iniciativa ser ou não em larga escala, já é um sucesso porque as pessoas estão a questionar-se, a questionar o sistema e a chegar à raiz da situação.
Porque é que insta as pessoas a protestar agora?
O sistema está quase a morrer e as pessoas não sabem o que esperar. Não há recursos suficientes na Europa para pagar a dívida que os EUA acumulou. As medidas de austeridade - e a prazo o fim da classe média - são o resultado disto.
E depois há o tratado de Lisboa, que é completamente criminoso porque proíbe os países europeus de controlarem o seu dinheiro.
Outro dos problemas principais é que a especulação e os investimentos são feitos com o dinheiro das pessoas.
A situação vai terminar como há uns anos na Argentina com as portas dos bancos a fechar e sem dinheiro para ninguém.
Que alternativas sugere para substituir o actual sistema?
Com esta mobilização esperamos encorajar o governo a avançar com opções de criação de um novo sistema. Isto é o que esperamos:
O fim da noção de Estado supranacional. Todos os Estados precisam de voltar a ter o poder de cunhar moeda. Para isso precisamos de revogar o Tratado de Lisboa, que torna os países dependentes dos mercados financeiros.
O sistema de taxas de juro precisa de revisão. E mais do que tudo, queremos que os governos criem um sistema onde o banco de depósito é diferente do banco de investimento para que as pessoas tenham a garantia que o seu dinheiro é real e está disponível.
O nosso objectivo não é ir para a política, mas alertar as pessoas para que tenham cuidado com os seu negócio, porque o mundo dos negócios não se preocupa com elas. Está na hora se passar à acção.
Laurène Loth
Metro World News em França