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O folclore dos Açores tem novo ritmo
Publicada por Diogo Ferreira
9 Dez 2010 1:00

 

Pedro Lucas é o mentor do projecto “O Experimentar Na M'Incomoda”. A tradição açoriana já foi distinguida nos prémios Megafone:

 

Como nasceu este projecto?

Foi há cerca de ano e meio, quando eu regresso aos Açores depois de viver cinco anos em Lisboa e, por acaso, no concerto de um músico do Faial - que é a ilha onde eu vivo – vi uma data de músicos: o Luís Bettencourt, o Zeca Medeiros. E havia outro, o Carlos Medeiros, que era o único que eu nunca tinha ouvido falar. E foi uma surpresa enorme: fiquei completamente fascinado pela música dele e andei à procura do disco, que se chama “O Cantar Na M'Incomoda”. E tive um amigo, o Miguel Machete, que tinha e que mo arranjou. Ainda fiquei mais entusiasmado e andou a tocar pelo MP3 durante muito tempo.

 

E como começou a desenvolver os seus temas?

Houve um dia em que peguei numa das canções e fiz música a partir dela, com os instrumentos que eu tinha – computador e guitarra – e gostei tanto do resultado que decidi revisitar o disco todo. Daí o nome: “O Experimentar Na M'Incomoda”. Pelo caminho encontrei outras coisas, nas recolhas que fiz, como o disco do Paulo Henrique Silva, de recolha das músicas das ilhas de São Jorge, Corvo e Terceira. E fui a outras músicas mais canónicas da música tradicional açoriana.

 

Pode dizer-se que é uma homenagem à música que é feita nos Açores?

De certa forma sim. O disco é uma homenagem ao Carlos Medeiros e à música dele, que acho que até nos Açores é injustamente desconhecido. É uma homenagem às minhas raízes.

 

O disco foi gravado nos Açores?

Metade foi composto nos Açores, a segunda metade foi em Copenhaga, para onde eu me mudei. Mas as ideias já vinham de trás. No Faial até tinha mais meios e tempo, onde tinha também amigos músicos com quem ia trabalhando. A distância não impediu nada, porque tinha a Internet e iam-me mandando algumas composições.

 

Muitas das raízes do disco estão no folclore açoriano. Mas as características desse folclore também passam para as suas músicas?

Eu fui à música açoriana e ao disco do Carlos. Vi como um ultraje não conhecer aquele disco. Depois, fui pegando nos temas e não tive grandes preocupações se aquilo soava ou não a música tradicional. Na origem os temas são música tradicional, mas a partir do momento em que começo a mexer-lhes, essa preocupação desaparece e quero apenas dar-lhe uma leitura com a qual me identifique. Se o tradicional se notar no fim, óptimo.

 

E as influências pessoais passam por quê ou por quem?

Por muita música urbana do mundo inteiro. Mas também música brasileira, norte-americana, independente norte-americana, música electrónica... de tantos lados!

 

Este disco já foi reconhecido este ano nos prémios Megafone.

Sim, ganhei a menção honrosa.

 

Está a pensar em fazer concertos por Portugal, mesmo estando em Copenhaga?

Gostava muito de fazer uma tournée em Portugal no primeiro trimestre do próximo ano. A partir de Fevereiro. Vamos esperar para ver.



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