Pedro Lucas é o mentor do projecto “O
Experimentar Na M'Incomoda”. A tradição açoriana já foi distinguida nos
prémios Megafone:
Como nasceu este projecto?
Foi há cerca de ano e meio, quando eu regresso aos Açores depois
de viver cinco anos em Lisboa e, por acaso, no concerto de um músico do Faial -
que é a ilha onde eu vivo – vi uma data de músicos: o Luís Bettencourt, o Zeca
Medeiros. E havia outro, o Carlos Medeiros, que era o único que eu nunca tinha
ouvido falar. E foi uma surpresa enorme: fiquei completamente fascinado pela
música dele e andei à procura do disco, que se chama “O Cantar Na M'Incomoda”.
E tive um amigo, o Miguel Machete, que tinha e que mo arranjou. Ainda fiquei
mais entusiasmado e andou a tocar pelo MP3 durante muito tempo.
E como começou a desenvolver os seus temas?
Houve um dia em que peguei numa das canções e fiz música a
partir dela, com os instrumentos que eu tinha – computador e guitarra – e
gostei tanto do resultado que decidi revisitar o disco todo. Daí o nome: “O
Experimentar Na M'Incomoda”. Pelo caminho encontrei outras coisas, nas recolhas
que fiz, como o disco do Paulo Henrique Silva, de recolha das músicas das ilhas
de São Jorge, Corvo e Terceira. E fui a outras músicas mais canónicas da música
tradicional açoriana.
Pode dizer-se que é uma homenagem à música que é feita
nos Açores?
De certa forma sim. O disco é uma homenagem ao Carlos
Medeiros e à música dele, que acho que até nos Açores é injustamente
desconhecido. É uma homenagem às minhas raízes.
O disco foi gravado nos Açores?
Metade foi composto nos Açores, a segunda metade foi em
Copenhaga, para onde eu me mudei. Mas as ideias já vinham de trás. No Faial até
tinha mais meios e tempo, onde tinha também amigos músicos com quem ia
trabalhando. A distância não impediu nada, porque tinha a Internet e iam-me
mandando algumas composições.
Muitas das raízes do disco estão no folclore açoriano.
Mas as características desse folclore também passam para as suas músicas?
Eu fui à música açoriana e ao disco do Carlos. Vi como um
ultraje não conhecer aquele disco. Depois, fui pegando nos temas e não tive
grandes preocupações se aquilo soava ou não a música tradicional. Na origem os
temas são música tradicional, mas a partir do momento em que começo a
mexer-lhes, essa preocupação desaparece e quero apenas dar-lhe uma leitura com
a qual me identifique. Se o tradicional se notar no fim, óptimo.
E as influências pessoais passam por quê ou por quem?
Por muita música urbana do mundo inteiro. Mas também música
brasileira, norte-americana, independente norte-americana, música
electrónica... de tantos lados!
Este disco já foi reconhecido este ano nos prémios
Megafone.
Sim, ganhei a menção honrosa.
Está a pensar em fazer concertos por Portugal, mesmo estando
em Copenhaga?
Gostava muito de fazer uma tournée em Portugal no primeiro
trimestre do próximo ano. A partir de Fevereiro. Vamos esperar para ver.