Em entrevista a Larry King, da CNN, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, fala sobre as presidenciais de 2012, o wikileaks e a democracia russa, a “ligação” Putin-Medvedev e as relações da Rússia com a NATO, entre outros assuntos.

Sr. primeiro-ministro, agora sabe-se que pode voltar a candidatar-se à presidência em 2012. Está a pensar fazê-lo?
Bem, tenho trabalhado com o presidente Medvedev de forma muito estreita. E decidimos, há muito tempo, que vamos ter uma posição concertada em relação a 2012, no interesse do povo russo.
Isso é um talvez?
Veremos. Ainda há algum tempo até essas eleições, que deverão ser em Abril de 2012.
O que pensa da divulgação pela Wikileaks de documentos militares e diplomáticos dos EUA, incluíndo um telegrama em que o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, diz ao homólogo francês que a democracia na Rússia deixou de existir e que o país é governado pelos serviços secretos?Qual é a sua resposta a isto? errado dizer que o país é governdo pelos serviços de segurança?
Ele [Gates]Está profundamente enganado. O nosso país é liderado pelas pessoas da Federação Russa através de um governo legitimamente eleito. Em relação à democracia quero recordar que por duas vezes – por duas vezes na história da América houve situações em que o candidato a presidente que subsequentemente se tornou presidente foi eleito spela maioria dos delegados que representam menos eleitores do que a totalidade dos votos. Isso é democracia? Os russos decidiram unilateralmente, no início dos anos 90, o rumo da democracia. E não nos vamos desviar. Ninguém pode ter dúvidas que esse é o interesse da Rússia e que o iremos alcançar.
Como descreve a sua relação com o presidente Medvedev? Há quem diga que o senhor é o Batman e ele o Robin.
Quando eu e o presidente Medvedev estávamos a decidir como seria a nossa cooperação no futuro, estávamos perfeitamente conscientes que haveria pessoas a tentar introduzir falhas na nossa aproximação. Essas alegações, têm, sem dúvida, o objectivo de denegrir um de nós, dar cabo dos nervos, destruir a interacção produtiva que governa este país.
O presidente Medvedev avisou que haveria uma nova corrida às armas se a NATO e a Rússia não se entenderem numa escudo anti-míssil. Haverá uma nova corrida ao armamento se os EUA não ratificarem?
Não. No seu discurso do estado da nação (a 30 de Novembro), o presidente Medvedev referiu o facto de termos uma proposta para todos, em conjunto, lidarmos com a questão da segurança, dividir a responsabilidade entre todos. E o problema terá de ser necessariamente abordado com este esforço conjunto em primeiro lugar.
Dez agentes adormecidos russos foram presos nos EUA no início do ano e mandados para a Rússia numa troca de espiões. Esteve com eles depois da deportação. Qual foi a sua impressão? O que lhes disse?
Bem, no que respeita a assuntos oficiais, falámos. Mas, sim, discutimos diferentes assuntos com eles. O que lhe posso dizer? São pessoas que, naturalmente, merecem respeito. Como já disse, e posso repetir, as sua actividade não prejudicou os interesses dos EUA.
Qualquer país, incluíndo os EUA, tem um serviço de recolha de informação. Ninguém duvida disso. Nenhum destes agentes, ou outros, eram, vistos como organizções de tortura e de prisões clandestinas.
Qual a política russa para gays e lésbicas nas Forças Armadas?
No que respeita à atitude para com os gays e lésbicas, na Rússia, como aliás na Europa, tem também a ver com a demografia. Temos desenvolvido um grande esforço para alterar esta situação. E temos conseguido.
Penso que teremos os melhortes resultados com a velocidade de mudança da demografia. Pela primeira vez em 10 ou 15 anos verificámos uma tendência de crescimento estável de nascimentos no país e no fim deste ano teremos algum crescimento populacional.
E os casamentos do mesmo sexo não geram descendência. Por isso, temos muita paciência em relação às minorias sexuais, mas acreditamos que o Estado deve apoiar os nascimentos, os cuidados materno-infantis e a saúde destas pessoas.
Mas são permitidos gays nas Forças Armadas?
Na União Soviética era uma questão de foro criminal. Agora não há proibições ou penalizações dessa natureza.
Exclusivo Metro/CNN