Director Geral da cadeia de supremercados Brio fala sobre
a marca, o presente e o futuro do mercado biológico.

Como é que surgiu a ideia de criar um supermercado biológico?
A ideia foi de dois sócios que hoje em dia já não estão na empresa.
Principalmente um deles, que viveu muitos anos na Alemanha e achou que o mercado biológico seria interessante de trazer para Portugal. Este é um mercado que está a crescer na Europa toda e cá também. Ele abriu uma pequena loja em Campo de Ourique que ainda hoje existe e é a nossa primeira em 2008 e depois em 2010 juntou-se ao The Edge Group, liderada pelo José Luís Pinto Basto que adquirou 50% do Brio já com a ideia de uma expansão maior, para 50 ou 60 lojas.
Seria possível a expansão sem essa sociedade?
Não. Ele entrou como sócio capitalista e é nessa altura que eu entro também para a empresa como director de operações e o plano que me é apresentado é de facto para crescermos 40, 50 supermercados a nível nacional.
Em quanto tempo?
10 anos. 10 anos a partrir de 2010.
Acha que é razoável?
Acho que é razoável. Passei por um projecto anterior, que mais ou menos no mesmo tempo.
Neste momento tem supermercados só na região de Lisboa?
Temos cinco na região de Lisboa. Campo de Ourique, depois abrimos Carnaxide no ano passado, este ano Lx Factory e Chiado e Estoril.
E agora vai para onde?
Penso que ainda na região de Lisboa. Margem sul, norte de Lisboa ainda não tem nada. Sintra, Cacém. Acho que na zona de Lisboa. Está em campo um estudo de mercado bastante completo e estamos um bocadinho à espera desse estudo, que já devia ter sido há um ano, para nos dar uma ideia mais precisa de onde esté o mercado. Nós achamos que não há mais mercado porque não há oferta. Tem um procura elevada e não há oferta. Então fora de Lisboa não há mesmo nada.
Sente que quando a oferta for maior consegue baixar os preços?
Quantas mais economias de escala tivermos mais fácil é.
Adquirir os produtos é fácil? A produção é normal? Terá produção suficiente para todos os supermercados?
Sim. Isto o crescimento, também não é de um dia para o outro que passamos de cinco para 40. Mas as próprias empresas vão-se adaptando e vão crescendo. Temos contacto com uma empresa que tem uma grande área e quer tornar-se totalmente biológica. Já tem uma série de produtos certificados e quer ter mais. Os produtores de agricultura biológica olham para nós como uma potencial empresa para escoar a produção.
Porque é que as pessoas procuram produtos biológicos? Porque é que o mercado está em crescimento?
Há várias razões. Acho que a sáude e o impacto ambiental tem o maior peso. Mas acho que a questão do sabor e voltar aos sabores do passado, para mim é o mais importante. Ouve-se cada vez mais que a fruta não sabe a nada, os legumes não sabem a nada. Acho que a possibilidade de as pessoas a um preço justo terem esses produtos que lhes lembrem a terra é o principal motivo.
É complicado encontrar esse preço justo? Manter o equilíbrio? Ser concorrencial com os outros supermercados?
É importante desmistificar o preço dos biológicos. Na parte dos frescos, frutas e legumes, a diferença não é muito grande. 10%, 15%. Mas a fruta da época tem os preços muito aproximados ou mesmo mais baixos que o convencional. Se tivermos excesso de produção, por exemplo de morangos, o mercado oscila mais do nosso lado – conseguimos baixar os preços – do que os supermercados concvencionais que têm acordos fechados o ano inteiro. Tudo o que implique a indústria – o embalamento, um certo tratamento aos produtos – aí somos de facto um pouco mais caros. Mas não acho que seja uma diferença por aí além.
A entrega ao domícilio é uma necessidade ou é uma diferenciação para atrair clientes?
Nós queremos prestar um bom serviço aos nossos clientes e acho que isso faz parte de um bom serviço. Apesar de ainda não termos uma entrega ao domicílio ao nível de um supermercado. Tentamos entregar nas áreas perto da loja e temos um limite de entregas por dia. Tem sido adquado à necessidade.
Qual o objectivo do número de clientes por dia?
Nós temos um business plan desenhado com objectivos de cliente quer com o valor de facturação diário.
Como antecipa a evolução do mercado de produtos biológicos? Antecipa concorrência rapidamente?
Esperemos que sim. Neste momento existe tão pouca coisa que se vier concorrência só ganhamos com isso. A nossa ideia é democratizar ao máximo o biológico e quanto mais houver mais essa tarefa é facilitada.
Nós esperamos que apareçam concorrentes.
Confia ou é céptico na evolução da agricultura biológica, quer em Portugal, quer na Europa?
Está em franca expansão. O negócio do biológico é dos poquíssimos negócios que na Europa cresce a dois dígitos e acredito que cá em Portugal vai acontecer o mesmo. Quer a produção, quer o retalho. Até porque todas as próprias leis comunitárias cada vez mais vão levar os produtos agrícolas nesse sentido. Há cada vez mais a proibição de determinados químicos nos produtos que vai levar a que a agricultura biológica a grandes quantidades.
Pensa que em tempos de crise seja uma mais valia ou as pessoas vão à procura do que for mais barato?
Vai haver de tudo. Se calhar pessoas que são consumidoras e que neste período não são tão consumidoras, vai haver pessoas que vão encontrar aqui uma mais valia. Nós vendemos sobretudo frescos e nessa área quem tiver por dentro não terá grande diferença. Há uma particularidade dos produtos biológicos, que se fizemos bem as contas, se calhar os tornam mais baratos que é a durabilidade. Quando se compra um produto biológico ele dura muito mais e as pessoas à medida que vão comprando vão-se aprecebendo disso. É uma matemática diíficil de fazer e a maior parte das pessoas não faz, mas quem compra, nota que dura imenso.
As pessoas que façam estas contas continuarão a comprar mesmo no meio desta crise. Haverá algumas que olham só para o preço e assustam-se. A verdade é que estamos a crescer.
Qual a importância de ter pessoas formadas nestas áreas a trabalhar nos supermercados?
Acho que é fundamental. Nós fazemos um esforço por ter pelo menos um engenheiro agrónomo em cada loja. Aqui as pessoas perguntam pelos produtos e nós temos um atendimento o mais personalizado possível e as pessoas gostam de saber e perceber as vantagens e desvantagens. Às vezes até há uma partilha de receitas. Nesse aspecto temos uma dinãmica bastante forte e a credibilidade de um engenheiro agrónomo é diferente de uma outra pessoa.
Que balanço faz?
Fazendo uma análise do ano, terminamos com cinco lojas apesar de termos sentido a partir de Maio/Junho uma desacleração do nosso cresceimento. Devido ao Verão, sempre penalizador para este negócio, mas também devido à situação de crise. Em Setembro já tivemos um mês de acordo com os nossos objectivos e uma subida acentuada. Acreditamos que o último trimestre nos irá correr bem.
Planeamos abrir mais cinco ou seis lojas no próximo ano, provalvelmente uma ou duas delas no Porto. Que é muito soliciatda.
E loja online?
É um projecto que está na calha. Talvez no segundo semestre do próximo ano.
Magalhães Afonso