|
Numa Liga onde os estrangeiros abundam, assumindo quase invariavelmente o maior protagonismo, é sempre bom ver um jovem português destacar-se, principalmente quando surge do anonimato e fora da esfera dos três grandes.
Hugo Vieira foi uma espécie de oásis da edição 2011/2012. Muito rápido e dotado de boa técnica, começou a impressionar logo no jogo inaugural, frente ao Benfica, e tornou-se numa figura incontornável do Gil Vicente, que fez um percurso tranquilo no campeonato e chegou de forma surpreendente, mas com reconhecido mérito, à final da Taça da Liga.
Em final de contrato (apesar de poder haver uma pequena compensação a pagar), Hugo Vieira é um achado e uma aposta sem risco. No Sporting, estranhamente o único grande cujo interesse no jogador é conhecido, permitiria por exemplo a Sá Pinto utilizar com mais frequência um esquema alternativo ao 4x3x3. Não se tratando de um homem de área, demonstra capacidades que podem fazer dele a muleta perfeita para um ponta-de-lança. Tanto em Alvalade, como mais recentemente se tem falado, como na própria Seleção Nacional.
Com tantos e traumatizantes problemas para se recrutarem homens para o centro do ataque, principalmente desde que Pauleta arrumou as botas, não constituiria, por certo, um escândalo se Paulo Bento incluísse o nome de Hugo Vieira na convocatória final para o Euro’2012. O dele e também o de Nélson Oliveira, outro dos jovens talentos portugueses que a Liga 2011/2012 neste caso confirmou, pois o anterior desempenho do benfiquista no Mundial Sub-20 já tinha sido eloquente.
É que para o centro do ataque as alternativas são Hugo Almeida, Hélder Postiga e, se calhar, mais ninguém...
ÚLtima Sentença, da edição impressa de Record de 8 de maio de 2012
|