|
Quanto Record entrevistou Sá Pinto, dias depois de ele ter assumido a pasta de diretor de futebol do Sporting, escrevi, neste mesmo espaço, que o antigo jogador leonino estava diferente. O seu discurso foi o de um verdadeiro gestor, empregando termos próprios dos conceitos modernos que se aplicam na vida empresarial, sinal claro de que Sá Pinto tinha apostado numa formação académica que lhe dava lastro para desempenhar o cargo.
A entrevista foi a primeira e a última. Apesar de toda essa bagagem, Sá Pinto não resistiu ao seu instinto, o mesmo que no passado lhe valeu outros dissabores e que inclusivamente o obrigaram a emigrar. O “novo Sá Pinto”, como o classifiquei então, foi atraiçoado pelos impulsos e pelo carácter do velho Sá. As pessoas são como são.
É pena que Sá Pinto não tenha aproveitado a oportunidade. Primeiro porque se mostrou empenhado em dar um bom contributo; segundo porque o Sporting estava a entrar num ciclo favorável (e ainda continua) que dispensava mais este lamentável episódio que só pode ter reflexos no grupo de trabalho.
O que aconteceu no final do jogo com o Mafra teve a consequência natural. A demissão de Sá Pinto era inevitável e a sua substituição (ainda que temporária) por quem já estava na estrutura (Salema Garção) foi a decisão mais sensata. Mas o incidente tem outros efeitos que não devem ser desprezados. Por um lado, atinge a própria liderança ao mais alto nível, pois, afinal de contas, foi Bettencourt quem, ainda que por força de circunstâncias, que tentou ao máximo evitar, escolheu o diretor de futebol demissionário. Por outro, questiona-se que tipo de reação corporativa vão ter os adeptos fiéis a Sá Pinto quando Liedson estiver em campo. Mesmo depois de seis vitórias consecutivas, o Sporting consegue não ter paz.
|