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O aviso tinha sido dado: o jogo de Guimarães reunia perigos que poderiam resultar em dissabores para o Benfica. Jorge Jesus fez o alerta às tropas, mas a equipa não correspondeu em pleno e, ficando aquém do “futebol maravilha” que tem merecido os maiores encómios, sofreu a primeira derrota no campeonato, curiosamente no primeiro jogo em que não marcou golos.
O destino estava traçado: tinha de ser a norte do Douro que o Benfica iria ceder a sua primeira derrota. Os pontos perdidos nas anteriores deslocações deixavam esse prenúncio, ontem confirmado sem contestação e sem qualquer polémica. Apesar da quantidade de amarelos que saltou do bolso de Xistra, é justo que se diga que o árbitro tomou as decisões corretas nos lances de maior dúvida.
Com a derrota de Guimarães, o Benfica saiu da zona de conforto que a vantagem de 5 pontos sobre o FC_Porto lhe conferia. Agora, o dragão volta a depender de si próprio para reconquistar o título. O_Benfica tem já no sábado nova saída (Coimbra) pelo que o clássico da Luz, no dia 2 de março, pode tornar-se mesmo numa espécie de final do campeonato.
O_Benfica não reagiu bem à pressão de jogar em Guimarães um dia depois do FC_Porto se aproximar na tabela classificativa e Jorge Jesus também não encaixou bem a situação, após o jogo, ainda na flash interview. Provavelmente, o treinador encarnado estava mais agastado com a atuação da sua equipa (incapaz de dominar o jogo como tem sido seu apanágio) do que propriamente com a “indelicadeza” da questão colocada pelo jornalista.
O (bom) hábito de ganhar quando é interrompido causa natural indisposição. Ainda por cima quando a derrota, sendo a primeira no campeonato, é a segunda consecutiva e coloca o Benfica num patamar de alta pressão face aos compromissos que tem à porta.
Não é caso para drama, mas é um facto que o ciclo de jogos que o Benfica tem pela frente obriga a que os jogadores não se deixem inebriar por êxitos que ainda estão por conquistar. A derrota de Guimarães pode, afinal, ser uma boa lição.
Publicado no Record, Minuto Zero, 21 de fevereiro 2012
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