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Cansaço? Qual cansaço?
12 Abril de 2010 | 13:34
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O Barcelona fez no Santiago Bernabéu o 50º jogo da temporada! Uma brutalidade quando se compara, desde logo, com os 41 do rival Real Madrid. São nove (!) jogos a mais - muitos quilómetros somados nas pernas e, ainda por cima, num plantel que é reconhecidamente curto, como até o próprio Guardiola chegou a admitir. Ora, o que é fantástico é que, sendo, talvez, a equipa em toda a Europa com mais tempo de jogo esta época, o Barça parece, ao mesmo tempo, a equipa mais... fresca. Veja-se em Portugal, por exemplo, o caso do Benfica (46 jogos) cujo "excesso" de desafios tem justificado discussões de toda a espécie à volta do atual rendimento da equipa, das lesões, da gestão com "pinças" de alguns jogadores, da rotatividade, etc. É difícil, a qualquer equipa, chegar a abril com tantos jogos realizados como o Barcelona. Estão assim distribuídos: 31 para o campeonato, 1 para a Supertaça Europeia, 2 para a Supertaça de Espanha, 10 para a Liga dos Campeões, 4 para a Taça do Rei e mais 2 para o Mundial de Clubes. Faltam realizar mais 7 para o campeonato e, pelo menos, ainda mais 2 para Liga dos Campeões. Isto é, a época irá terminar com 59 ou 60. E o caso é mais espantoso porque já existiram lesões prolongadas (Daniel Alves, Abidal, Marquez, Milito, Ibra, Xavi, Iniesta), as ausências de Keita e Touré no início de 2010 por força da participação na CAN e tudo isto num plantel com apenas 21 jogadores (19 de campo + 2 guarda-redes). Apesar de tudo isto, o Barça não se cansa - nem sequer de ganhar. Como é isto conseguido? Seguramente, com um planeamento perfeito de Guardiola, Tito Vilanova (adjunto) e Buenaventura (preparador físico). Segunda parte do segredo: uma equipa que consegue, em todos os jogos, uma percentagem de posse de bola que é quase... uma obscenidade, tem a possibilidade de gerir muito melhor os níveis físicos do que outra que passa o jogo a perseguir o adversário. A inteligência, depois, faz a diferença: só interessa correr quando se sabe para onde se corre.
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Comentários
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"Ser adepto do Barcelona vai muito para além do puramente desportivo. É o sentimento de raízes, de valores e da identidade de um país: a Catalunha." (José Carreras). Pode ser que sim, mas ser adepto do Barcelona é, também, ter a possibilidade de escolher a perfeição. Adoptar o compromisso. Fechar os olhos e sonhar. Bem-vindo a este espaço de reflexão sobre a história e a actualidade do clube mais fascinante do Mundo, que tem e promete continuar a ter a marca UNICEF estampada nas camisolas. Campo Novo é a casa dos melhores: César, Helenio Herrera, Kubala, Ramallets, Kocsis, Luis Suárez, Rinus Michels, Udo Lattek, César Luis Menotti, Johan Cruyff, Migueli, Bobby Robson, Van Gaal, Frank Rijkaard, Josep Guardiola, Neeskens, Zubizarreta, Schuster, Koeman, Laudrup, Stoichkov, Hagi, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Figo, Ronaldinho Gaúcho, Valdés, Puyol, Xavi, Iniesta ou Daniel Alves. Cabem lá todos. Até Deus passou por ali entre 1982 e 84. Chamavam-lhe era Diego. Um dia, porém, tudo mudou. A nave aterrou, abriu-se a porta e Messi saiu de lá. Para jogar um desporto parecido com futebol. Nada voltaria a ser como dantes. A nave continua aí. Quando tudo isto acabar, ele há-de regressar para o planeta a que pertence.
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