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Mais um jogo, mais uma vitória indiscutível, 6 pontos de vantagem para o Real Madrid - que joga hoje, em Almeria, já mais pressionado. O Nou Camp foi grande demais para o Deportivo, em nova demonstração de boa saúde do "tiki-taka". A menos de uma semana da primeira mão da meia-final da Liga dos Campeões, com o Inter, Guardiola fez algumas alterações na equipa (regressos à titularidade de Marquez, Touré e Jeffren), sem perda de qualidade e das habituais referências. O volume de jogo do Barça, que controlou sempre as operações e o marcador de forma perfeitamente natural, foi até, desta vez, para além do que é normal: 75% de posse de bola, tendo a estatística chegado a acusar 78% (!) já perto do final dos primeiros 45 minutos. Um verdadeiro absurdo, numa noite em que, ainda por cima, o campeão apresentava um desenho tático diferente: 4-2-3-1. O quarteto defensivo era formado por Daniel Alves, Marquez, Piqué e Maxwell. Apareciam, depois, dois jogadores numa linha seguinte (Touré e Xavi) e ainda Pedro (aberto no lado direito), Jeffren (esquerda) e Messi pelo meio, por trás de Bojan, mas tendo o craque argentino liberdade para navegar por onde lhe apetecesse. O rolo compressor foi demasiado forte para o Deportivo e o resultado só não foi mais dilatado porque Bojan, Jeffren, Messi e Pedro desperdiçaram golos em série - alguns de forma perfeitamente incrível. Ah, e os postes também não ajudaram. O Barça já vai com 83 pontos, 80 golos marcados e 19 sofridos. A meta dos 100 pontos ainda está ao alcance. Espantoso!
Barcelona 3 - Deportivo 0 (análise individual)
VALDÉS (4) - Continua em grande momento de forma. Seguríssimo, perfeito a jogar com o pés e, desta vez, até com partipação num dos golos: foi dos seus pés (lançamento longo) que nasceu o 2-0, apontado por Pedro. Pouco trabalho, mas... bom.
DANIEL ALVES (3) - Apanhou pela frente o melhor jogador do Deportivo: Guardado. Esteve atento, mas subiu menos do que é hábito. Soltou-se nos últimos 20 minutos e, então sim, foi possível ver o lado direito do Barça com a estética do costume.
MARQUEZ (3) - Uma exibição conseguida, quase sempre em modo "descomplicador". Bastou-lhe jogar a 1-2 toques, manter a concentração e tirar partido de uma das suas melhores qualidades: sentido posicional.
PIQUÉ (4) - Jogou, desta vez, descaído para o lado esquerdo, "cedendo" a sua posição habitual a Marquez. Está tão confiante que tudo lhe sai bem e, na ausência de Puyol, até já é ele o líder natural da defesa e a voz que se faz ouvir. Parece uma vassoura com duas pernas: varre tudo.
MAXWELL (4) - Muito bem a fechar em fase defensiva, excelente a abrir na linha lateral em momento de posse de bola. Muito evoluído tática e tecnicamente, caiu nesta equipa como sopa no mel. Tem um pé esquerdo que parece uma autêntica "colher".
TOURÉ (4) - Guardiola deu-lhe a missão de controlar todas as acções da equipa e Touré cumpriu na perfeição. Não me lembro de ter falhado um passe (e fez mesmo muitos) e talvez tenha sido o principal responsável pelo tempo fantástico de posse de bola (75%) que o Barcelona conseguiu frente ao Deportivo. Rigoroso a entregar e muito participativo na recuperação, ainda disparou o "míssil" que fechou o marcador.
XAVI (4) - Não sabe jogar mal e, sem repetir a exibição de Madrid (será possível, algum dia?), voltou a estar em excelente plano. Com o Deportivo tão puxado atrás, no seu meio-campo, um dos desafios era inventar espaço nos últimos 30 metros. Aí, como sempre, Xavi foi mestre. Porque é capaz de estar a olhar para o lado direito e ver o que se passa no lado contrário. Foi mais ou menos assim, de resto, que assitiu Bojan Krkic para o primeiro golo. Merecia ter marcado e... não faltou muito. Foi substituído debaixo de tremenda ovação.
PEDRO (5) - Está... super!!! É um quebra-cabeça para qualquer defesa e esta noite, no Nou Camp, o experiente Pablo, que estava a marcá-lo, deve ter tido vontade de sair dali para fora o mais depressa possível. Pedro tem uma velocidade fora do comum e define qualquer lance com a frieza de um veterano. É um caso raro de afirmação. O golo que marcou, a 40 metros de distância (aproveitando um infeliz alívio de bola do guarda-redes do Deportivo, Aranzubía), só é possível em que está com os indíces de confiança no máximo. Mais uma grande noite de... Dom Pedro!
MESSI (3) - Andou entre o que fazem os jogadores normais... e o que só ele consegue fazer. Guardiola deu-lhe total liberdade para escolher os terrenos por onde andar. Esteve mais vezes no centro, nas costas de Bojan, e conseguiu cheirar o golo por três ou quatro vezes. Geriu bem o esforço (tem estado em praticamente todos os jogos) porque este Deportivo também não "exigiu" muito mais de Messi.
JEFFREN (2) - Precisa de aprender a controlar a ansiedade. É um jogador na linha de Pedro (veloz, destemido), mas repetiu erros que já se tinham visto frente ao Bilbau. Um toque a mais, um drible desnecessário, enfim, aparece sempre uma "inutilidade" que borra a pintura. Falhou um golo só com o guarda-redes pela frente, após brilhante assistência de Messi.
BOJAN (3) - Um golo 'à Bojan'... e pouco mais do que isso. Não esteve mal, pelo contrário, mas também ficou por perceber porque esteve menos participativo do que noutras ocasiões. Tem uma ótima relação com a bola, movimenta-se como um predador silencioso, mas é preciso que assuma essa condição de forma mais constante.
KEITA (3) - Entrou para o lugar de Jeffren aos 50' e foi, como quase sempre, de grande utilidade. Vai ser fundamental durante a ausência de Iniesta.
HENRY (2) - No lugar de Bojan a partir dos 74' e para jogar no interior da área. Esteve quase a marcar aos 79', mas Aranzubía defendeu bem. Parece mais solto.
BUSQUETS (2) - Substituiu Xavi e integrou-se bem no embalo final do "tiki-taka".
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