75% de posse de bola... é um exagero
15 Abril de 2010 | 01:07
Colocado por: NFarinha
 

Mais um jogo, mais uma vitória indiscutível, 6 pontos de vantagem para o Real Madrid - que joga hoje, em Almeria, já mais pressionado. O Nou Camp foi grande demais para o Deportivo, em nova demonstração de boa saúde do "tiki-taka". A menos de uma semana da primeira mão da meia-final da Liga dos Campeões, com o Inter, Guardiola fez algumas alterações na equipa (regressos à titularidade de Marquez, Touré e Jeffren), sem perda de qualidade e das habituais referências. O volume de jogo do Barça, que controlou sempre as operações e o marcador de forma perfeitamente natural, foi até, desta vez, para além do que é normal: 75% de posse de bola, tendo a estatística chegado a acusar 78% (!) já perto do final dos primeiros 45 minutos. Um verdadeiro absurdo, numa noite em que, ainda por cima, o campeão apresentava um desenho tático diferente: 4-2-3-1. O quarteto defensivo era formado por Daniel Alves, Marquez, Piqué e Maxwell. Apareciam, depois, dois jogadores numa linha seguinte (Touré e Xavi) e ainda Pedro (aberto no lado direito), Jeffren (esquerda) e Messi pelo meio, por trás de Bojan, mas tendo o craque argentino liberdade para navegar por onde lhe apetecesse. O rolo compressor foi demasiado forte para o Deportivo e o resultado só não foi mais dilatado porque Bojan, Jeffren, Messi e Pedro desperdiçaram golos em série - alguns de forma perfeitamente incrível. Ah, e os postes também não ajudaram. O Barça já vai com 83 pontos, 80 golos marcados e 19 sofridos. A meta dos 100 pontos ainda está ao alcance. Espantoso!

Barcelona 3 - Deportivo 0 (análise individual)

VALDÉS (4) - Continua em grande momento de forma. Seguríssimo, perfeito a jogar com o pés e, desta vez, até com partipação num dos golos: foi dos seus pés (lançamento longo) que nasceu o 2-0, apontado por Pedro. Pouco trabalho, mas... bom.

DANIEL ALVES (3) - Apanhou pela frente o melhor jogador do Deportivo: Guardado. Esteve atento, mas subiu menos do que é hábito. Soltou-se nos últimos 20 minutos e, então sim, foi possível ver o lado direito do Barça com a estética do costume.

MARQUEZ (3) - Uma exibição conseguida, quase sempre em modo "descomplicador". Bastou-lhe jogar a 1-2 toques, manter a concentração e tirar partido de uma das suas melhores qualidades: sentido posicional.

PIQUÉ (4) - Jogou, desta vez, descaído para o lado esquerdo, "cedendo" a sua posição habitual a Marquez. Está tão confiante que tudo lhe sai bem e, na ausência de Puyol, até já é ele o líder natural da defesa e a voz que se faz ouvir. Parece uma vassoura com duas pernas: varre tudo.

MAXWELL (4) - Muito bem a fechar em fase defensiva, excelente a abrir na linha lateral em momento de posse de bola. Muito evoluído tática e tecnicamente, caiu nesta equipa como sopa no mel. Tem um pé esquerdo que parece uma autêntica "colher".

TOURÉ (4) - Guardiola deu-lhe a missão de controlar todas as acções da equipa e Touré cumpriu na perfeição. Não me lembro de ter falhado um passe (e fez mesmo muitos) e talvez tenha sido o principal responsável pelo tempo fantástico de posse de bola (75%) que o Barcelona conseguiu frente ao Deportivo. Rigoroso a entregar e muito participativo na recuperação, ainda disparou o "míssil" que fechou o marcador.

XAVI (4) - Não sabe jogar mal e, sem repetir a exibição de Madrid (será possível, algum dia?), voltou a estar em excelente plano. Com o Deportivo tão puxado atrás, no seu meio-campo, um dos desafios era inventar espaço nos últimos 30 metros. Aí, como sempre, Xavi foi mestre. Porque é capaz de estar a olhar para o lado direito e ver o que se passa no lado contrário. Foi mais ou menos assim, de resto, que assitiu Bojan Krkic para o primeiro golo. Merecia ter marcado e... não faltou muito. Foi substituído debaixo de tremenda ovação.

PEDRO (5) - Está... super!!! É um quebra-cabeça para qualquer defesa e esta noite, no Nou Camp, o experiente Pablo, que estava a marcá-lo, deve ter tido vontade de sair dali para fora o mais depressa possível. Pedro tem uma velocidade fora do comum e define qualquer lance com a frieza de um veterano. É um caso raro de afirmação. O golo que marcou, a 40 metros de distância (aproveitando um infeliz alívio de bola do guarda-redes do Deportivo, Aranzubía), só é possível em que está com os indíces de confiança no máximo. Mais uma grande noite de... Dom Pedro!

MESSI (3) - Andou entre o que fazem os jogadores normais... e o que só ele consegue fazer. Guardiola deu-lhe total liberdade para escolher os terrenos por onde andar. Esteve mais vezes no centro, nas costas de Bojan, e conseguiu cheirar o golo por três ou quatro vezes. Geriu bem o esforço (tem estado em praticamente todos os jogos) porque este Deportivo também não "exigiu" muito mais de Messi.

JEFFREN (2) - Precisa de aprender a controlar a ansiedade. É um jogador na linha de Pedro (veloz, destemido), mas repetiu erros que já se tinham visto frente ao Bilbau. Um toque a mais, um drible desnecessário, enfim, aparece sempre uma "inutilidade" que borra a pintura. Falhou um golo só com o guarda-redes pela frente, após brilhante assistência de Messi.

BOJAN (3) - Um golo 'à Bojan'... e pouco mais do que isso. Não esteve mal, pelo contrário, mas também ficou por perceber porque esteve menos participativo do que noutras ocasiões. Tem uma ótima relação com a bola, movimenta-se como um predador silencioso, mas é preciso que assuma essa condição de forma mais constante.

KEITA (3) - Entrou para o lugar de Jeffren aos 50' e foi, como quase sempre, de grande utilidade. Vai ser fundamental durante a ausência de Iniesta.

HENRY (2) - No lugar de Bojan a partir dos 74' e para jogar no interior da área. Esteve quase a marcar aos 79', mas Aranzubía defendeu bem. Parece mais solto.

BUSQUETS (2) - Substituiu Xavi e integrou-se bem no embalo final do "tiki-taka".

 
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Comentários

# 5_malva_5 disse em 15-04-2010 às 10h18

sou um apaixonado adepto do FC Barcelona e tenho sempre um enorme prazer ao visitar o seu blog e ler as suas crónicas... muitos parabéns e continue a escrever e descrever todos os pensamentos e sentimentos de um verdadeiro culé! MÉS QUE UN CLUB!

# Gonçalo Ribeiro disse em 15-04-2010 às 12h45

A final de sonho da Liga dos Campeões só poderia ser Barça Vs Benfica.

1 abraço

# NFarinha disse em 15-04-2010 às 13h54

Caro "5 Malva 5", muito obrigado. Visca Barça!

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Sobre este Blog

"Ser adepto do Barcelona vai muito para além do puramente desportivo. É o sentimento de raízes, de valores e da identidade de um país: a Catalunha." (José Carreras). Pode ser que sim, mas ser adepto do Barcelona é, também, ter a possibilidade de escolher a perfeição. Adoptar o compromisso. Fechar os olhos e sonhar. Bem-vindo a este espaço de reflexão sobre a história e a actualidade do clube mais fascinante do Mundo, que tem e promete continuar a ter a marca UNICEF estampada nas camisolas. Campo Novo é a casa dos melhores: César, Helenio Herrera, Kubala, Ramallets, Kocsis, Luis Suárez, Rinus Michels, Udo Lattek, César Luis Menotti, Johan Cruyff, Migueli, Bobby Robson, Van Gaal, Frank Rijkaard, Josep Guardiola, Neeskens, Zubizarreta, Schuster, Koeman, Laudrup, Stoichkov, Hagi, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Figo, Ronaldinho Gaúcho, Valdés, Puyol, Xavi, Iniesta ou Daniel Alves. Cabem lá todos. Até Deus passou por ali entre 1982 e 84. Chamavam-lhe era Diego. Um dia, porém, tudo mudou. A nave aterrou, abriu-se a porta e Messi saiu de lá. Para jogar um desporto parecido com futebol. Nada voltaria a ser como dantes. A nave continua aí. Quando tudo isto acabar, ele há-de regressar para o planeta a que pertence.

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por Nuno Farinha

Jornalista desde 1990, com início de carreira profissional na Gazeta dos Desportos e simultaneamente na Foot. Passagens, depois, pelo Golo e pela FutebolMania (diretor). Pelo meio, esteve na Época, Nova Gente e dirigiu a TV 7 Dias e a TV Guia. Actualmente é jornalista do Record e, como já se percebeu, um assumido doente pelo Barcelona. Aliás, é sócio: 129.800. E assim será enquanto for preservada a fabulosa herança de Guardiola. Em 2012 e 2013 foi comentador da RTP no programa Zona Mista.

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