A traição de Daniel Alves
17 Abril de 2010 | 23:39
Colocado por: NFarinha
 

Só daqui por algumas semanas será possível perceber o valor que este ponto conseguido frente ao Espanhol representa. O empate (0-0) acaba por ser o resultado que traduz melhor o que se passou em campo, numa noite estranha em que Barça voltou a sentir-se bastante desconfortável com a pressão muito subida (e agressiva, até) do adversário e também com a marcação individual exercida sobre Xavi e Messi. A forma que o técnico Pochettino encontrou para controlar Xavi talvez até tenha sido mais decisiva do que propriamente em relação a Messi. No fundo, "tirar" o playmaker do jogo é como cortar a corrente do "tiki-taka". Quando a marcação sai bem (e é feita em todas as zonas do relvado), o Barcelona engasga-se. Há automatismos que desaparecem quase por completo e toda a dinâmica ofensiva da equipa se ressente. Faltam ideias, falta controlo, falta posse de bola. Ainda assim, o momento mais importante do jogo foi protagonizado por Daniel Alves, aos 60 minutos. Guardiola tinha trocado, quatro minutos antes, Milito e Touré por Keita e Henry. O Barcelona - que tinha sido bloqueado em toda a primeira parte e continuava com dificuldades no início da segunda - estava finalmente "por cima". A mudança surtiu efeito imediato e, de repente, o Espanhol passara a defender... lá atrás. Num contra-ataque, porém, a estratégia de Pep caiu pela base quando o efeito das substituições começava a fazer-se sentir: Daniel Alves, pouco depois da linha do meio-campo, no lado esquerdo, derruba Osvaldo por trás e vê o segundo amarelo. Ficava, de novo, tudo mais difícil. Mesmo com este contratempo - e com 10 a terem que trabalhar por 11 - a equipa manteve-se equilibrada lá atrás (mesmo com acertos de circunstância, como o de Busquets a jogar a central) e só faltou quem desfizesse o nó lá frente. Não foi possível. Guardiola ainda tentou tudo com a entrada de Ibra, mas não resultou. A marcação forte, intensa e acertada do rival serviu para segurar o 0-0 até ao fim, num jogo em que a posse de bola do Barça se ficou pelos 58% (distante dos habituais 70%). Guardiola, na conferência de imprensa, já foi adiantando que "este ponto tem muito valor". E até pode ter, mas com este empate o Barça já não irá chegar aos... 100 pontos. Fará 99 na melhor das hipóteses. Se chegar para ser campeão, o que importa o resto?

Espanhol, 0 - Barcelona, 0 (análise individual)

VALDÉS (4) - Mais uma grande noite, sem qualquer falha. E ainda fez uma defesa de ouro aos 44'.

DANIEL ALVES (1) - Uma falta perfeitamente evitável, ainda muito longe da baliza de Valdés, foi o ponto mais baixo de uma exibição, toda ela, intermitente.

PIQUÉ (5) - Que jogão! Está num impressionante momento de forma. Confiante a proteger as costas de Daniel Alves e com um sentido posicional simplesmente perfeito. Ganhou todos os lances que disputou. Um monstro.

MILITO (2) - Complicou demais. Perdeu bolas de forma infantil sempre que foi pressionado. O jogo estava demasiado rápido para ele. Foi bem substituído.

PUYOL (2) - Começou no lado esquerdo da defesa e não se entendeu com o jogo agressivo do Espanhol. E foi ultrapassado algumas vezes em situações que costuma controlar com relativa facilidade. Acabou o jogo na direita.

TOURÉ (2) - Teve sempre muita gente na sua zona de acção. Faltou espaço para pensar e linhas para fazer circular a bola. Não foi a referência que a equipa precisava.

BUSQUETS (3) - Muito castigado pelos adversários desde os primeiros minutos, teve o mérito de não perder a lucidez. Foi vítima, porém, de um problema comum: falta de espaço. Terminou o jogo a central e em excelente plano.

XAVI (2) - Tardou a entrar no jogo por força de uma marcação demasiado "em cima". Xavi é um prodígio com a bola nos pés, mas se ela não chega... falta-lhe velocidade para escapar ao "polícia" e aparecer em zona de ninguém. Na parte final do jogo, com o Barça reduzido a dez homens, ainda teve génio para assinar três ou quatro movimentos interessantes, juntamente com Messi. Falhou mais passes neste jogo do que nos últimos 20.

PEDRO (3) - Correu mais do que jogou, desta vez. Procurou agitar o jogo com uma ou duas "sapatadas", mas foi incapaz de conseguir levar perigo à baliza de Kameni. Não se pode é dizer que não tivesse tentado.

MAXWELL (2) - A surpresa da noite que... não funcionou. Guardiola escolheu-o para fazer a frente no lado esquerdo, mas Maxwell não merece nota positiva nessa função. Ainda assim, foi um importante apoio para Puyol no processo defensivo. O pior foi o resto.

MESSI (2) - Um jogo ingrato: pouca bola, pouco apoio e uma missão quase impossível para realizar. Vigiado de muito perto (tal como Xavi), sentiu uma tremenda dificuldade para soltar-se dos 3 ou 4 adversários que lhe caíam em cima sempre que a bola lhe chegava. Há dias assim.

KEITA (2) - Entrou e... o Barcelona ficou com 10 jogadores. Trabalhou e deu alguma estabilidade ao meio-campo.

HENRY (1) - Nunca foi possível assisti-lo em condições (quase sempre através de jogo directo) e, quando assim é, o jogo do francês perde metade do potencial.

IBRAHIMOVIC (1) - Regressou após três semanas de ausência. Valeu por isso.

 
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Comentários

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 00h58

Nuno,as notas deste jogo dizem tudo sobre a ineficácia e o fraco jogo do barça. Os melhores elementos da equipa foram 2 jogadores defensivos o que é rarissimo acontecer. Agora também me parece que com 11 o jogo iria terminar empatado na mesma,por isso nao culpo o dani alves pelo empate. O barça teve mais cartoes amarelos que o habitual o que espelha um certo nervosismo na equipa. Apenas uma curiosidade,na semana em que alves é expulso,maicon faz um golao. Os 2 melhores laterais direitos do mundo no muito bom e no muito mau. E agora o real pode e deve ficar a apenas um ponto da liderança e nao esquecer que o barça ainda tem que ir a sevilha,por exemplo. Este ponto conquistado pode ser muito valioso ou muito amargo,no fim se verá

# NFarinha disse em 18-04-2010 às 01h07

Pedro, o Daniel Alves e o Maicon vão ter oportunidade de "acertar" essas contas agora no Inter-Barça... Eheheheh

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 01h11

Uma nota final para vitor valdés,um guarda redes que eu nao apreciava e que num curto espaço de tempo me fez mudar de opiniao. O melhor elogio que lhe posso fazer é que a continuar assim com boas exibiçoes vicente del bosque vai ter um problema dos bons para a titularidade da sua selecçao no mundial. O numero 1 ainda é casilhas mas...

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 01h14

Acha possivel dunga colocar d.alves ou maicon na lateral esquerda? Ou é um risco desnecessário? É uma pena ver 1 deles no banco

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 01h27

O que acha de um dia quique flores treinar o barça? Já vi que vocé aprecia as suas qualidades,mas desde que escreveu o bloco de notas no domingo passado,parece que o homem se zangou e toca a desatar a perder. Eu hoje já o defendi,mas nao valeu muito a pena já que perdeu em villareal.. Clube estranho este atletico de madrid.  Os seus adeptos devem ser dos que mais sofrem no mundo. Voltando ao barça,olhe que o mourinho seguiu atentamente este jogo e já deve ter a teia montada. Temo apenas que este jogo seja parecido com o da fase de grupos,em que foi muito fraco pura e exclusivamente por culpa do inter que abdicou de jogar.  

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 01h45

O begiristain diz no jornal AS que o valdes nao só deve ir ao mundial,como também deve jogar.

# jorgen80 disse em 18-04-2010 às 12h48

o futebol praticado pelo Atlético de Quique é a antitese do futebol praticado pelo Barça.

Quique é jovem, por certo, mas neste momento não tem estaleca, nem de perto, nem de longe para comandar uma equipa como FC Barcelona.

Abraço

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 12h57

Quique é jovem,concordo. Mas o que é pep guadiola? Jorgen80 lembras-te do inicio da temporada passada e os resultados do barça? O que disseram de pep? O barcelona só começou a carrilar depois da vitória em camp nou 5 2 sobre o sporting.

# jorgen80 disse em 18-04-2010 às 13h06

Eu disse que Quique é jovem, para que percebas que ainda pode evoluir como treinador.Pep é jovem, mas nasceu para treinar o Barcelona.É um treinador que está noutro nivel em relação ao Quique.

Repara, tu pelo que viste o ano passado, do Quique a treinar o Benfica, a forma como ele abordava o jogo, achas que era de equipa ganhadora?Equipa de ataque, de triturar o adversário?

Ele, penso que não tem nada a ver com a filosofia do FC Barcelona.

# Jaime S. Mota disse em 18-04-2010 às 13h31

Pedro, foi uma vitória por 3-1 sobre o Sporting em Camp Nou que lançou o Barcelona (os 5-2 foi mesmo na 2a mão em Alvalade).

É difícil comparar Guardiola com Quique, é outra dimensão!

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 13h41

Em minha opiniao aceito que o quique nao tem a filosofia do barça. Mas pensámos todos o mesmo em relaçao ao capello quando foi treinar o real madrid e ve os resultados. Este mesmo capello que está a treinar a seleçao inglesa e que aparentemente também nao tem a filosofia deles. O quique em minha opiniao falhou no benfica por nao conhecer bem as equipas da nossa liga e muitas vezes inventar no escalonamento do 11 inicial.  Eu gosto e aprecio as qualidades dele, humanas e profissionais.

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 13h50

Sim tens razao foi 3 1,desculpa

# Jaime S. Mota disse em 18-04-2010 às 14h08

Eu devo dizer que também gosto do Quique, mas não julgo que tenha calibre para o Barça!

# jorgen80 disse em 18-04-2010 às 14h13

Gosto de Quique pelas suas qualidades humanas, não pelas suas qualidades profissionais.Não devemos misturar.

# NFarinha disse em 18-04-2010 às 17h02

Estou ao lado da maioria: Quique é bom, mas... não tão bom para o Barça. As boas práticas, na Catalunha, exigem futebol muito mais ofensivo do que aquele que Quique tem para dar. A matriz do Barcelona é outra. É a orgia ofensiva do Cruyff, o vandalismo atacante de Robson e o método que agora se vê em Guardiola. E para isso, meus amigos, o Quique (ainda) não dá. Veremos no futuro.

# NFarinha disse em 18-04-2010 às 17h04

Pedro, colocar Dani Alves ou Maicon na esquerda não me parece. Mas, por exemplo, jogar com Dani Alves à frente de Maicon, isso já aconteceu e não vejo porque não possa voltar a acontecer.

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 17h07

Já aconteceu,mas no mundial ponho as minhas reticencias que dunga o faça. Olegário benquerença vai arbitrar o inter-barcelona

# jorgen80 disse em 18-04-2010 às 18h25

o mal é que a posição á frente do Maicon pertence ao Senhor Ramires meus amigos : )

Abraço

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 18h37

jorgen80 o ramires na seleçao nao joga na ala direita,joga mais na zona central do terreno

# jorgen80 disse em 18-04-2010 às 18h53

Não, estas errado amigo.O Brasil joga com dois trincos(Felipe Melo e Gilberto Silva), mais dois médios a abrir para as extremas.Káká ocupa se do lado esquerdo enquanto Ramires fica com o lado direito.Funcionam tipo como médios interiores.A frente de ataque como sabemos está entregue a Robinho e Luis Fabiano.

Abraço

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 19h56

Quando joga o f.melo,nao joga o ramires caro amigo. Aconteceu isso na taça das confederaçoes em junho

# jorgen80 disse em 18-04-2010 às 20h06

olha que não Pedro Miguel :)

Quando não estava Ramires jogava Elano.Os trincos eram Gilberto Silva e Felipe Melo.Nunca colocou Ramires a trinco.

Olha faz aí as tuas pesquisas do onze do Brasil na Taça das Confederações e depois diz me alguma coisa :)

Abraço

# pedromiguelslb disse em 18-04-2010 às 20h44

jorgen80 fui ao google pesquisar a taça das confederaçoes 2009,nao consegui ver o 11 do brasil nessa prova mas o que diz sobre o ramires é que é um médio box to box e que joga em missoes defensivas e ofensivas. Mas o mundial vem ai e teremos tempo de discutir o brasil e as outras seleçoes

# Jaime S. Mota disse em 19-04-2010 às 10h15

Penso que o Jorgen tem razão. O lado direito do meio-campo da selecção do Brasil fica normalmente entregue ou a Elano ou a Ramires. Mas pode ser que Dunga no mundial aposte em Daniel Alves nessa posição, quem sabe.

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Sobre este Blog

"Ser adepto do Barcelona vai muito para além do puramente desportivo. É o sentimento de raízes, de valores e da identidade de um país: a Catalunha." (José Carreras). Pode ser que sim, mas ser adepto do Barcelona é, também, ter a possibilidade de escolher a perfeição. Adoptar o compromisso. Fechar os olhos e sonhar. Bem-vindo a este espaço de reflexão sobre a história e a actualidade do clube mais fascinante do Mundo, que tem e promete continuar a ter a marca UNICEF estampada nas camisolas. Campo Novo é a casa dos melhores: César, Helenio Herrera, Kubala, Ramallets, Kocsis, Luis Suárez, Rinus Michels, Udo Lattek, César Luis Menotti, Johan Cruyff, Migueli, Bobby Robson, Van Gaal, Frank Rijkaard, Josep Guardiola, Neeskens, Zubizarreta, Schuster, Koeman, Laudrup, Stoichkov, Hagi, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Figo, Ronaldinho Gaúcho, Valdés, Puyol, Xavi, Iniesta ou Daniel Alves. Cabem lá todos. Até Deus passou por ali entre 1982 e 84. Chamavam-lhe era Diego. Um dia, porém, tudo mudou. A nave aterrou, abriu-se a porta e Messi saiu de lá. Para jogar um desporto parecido com futebol. Nada voltaria a ser como dantes. A nave continua aí. Quando tudo isto acabar, ele há-de regressar para o planeta a que pertence.

Autor

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por Nuno Farinha

Jornalista desde 1990, com início de carreira profissional na Gazeta dos Desportos e simultaneamente na Foot. Passagens, depois, pelo Golo e pela FutebolMania (diretor). Pelo meio, esteve na Época, Nova Gente e dirigiu a TV 7 Dias e a TV Guia. Actualmente é jornalista do Record e, como já se percebeu, um assumido doente pelo Barcelona. Aliás, é sócio: 129.800. E assim será enquanto for preservada a fabulosa herança de Guardiola. Em 2012 e 2013 foi comentador da RTP no programa Zona Mista.

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