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Não é de um milagre que se trata, mas será realmente necessário o melhor Barça, em noite inspirada, na segunda mão da meia-final com o Inter (quarta-feira, dia 28). Só assim o campeão europeu poderá dar a voltar a esta derrota, 3-1, e marcar presença na final do Bernabéu, dia 22 de maio. A Champions está em risco. O golo de Pedro abriu uma enorme possibilidade que, depois, estranhos erros de marcação e ainda mais estranhos de arbitragem acabaram por permitir a reviravolta a um Inter que, por momentos, chegou a parecer imparável... no contra-ataque. Os números oficiais da UEFA são claros: o tiki-taka esteve mesmo em Milão (636 passes contra 271 da equipa de Mourinho, 82% certos, contra 58% dos italianos), mais remates, mais cantos, enfim, o habitual. A posse de bola, então, foi mesmo o esmagamento do costume: 67%. O que não foi habitual foram os três golos sofridos. Há erros próprios? Sim, seguramente. Até demais. Mas houve também enorme mérito na forma como Mourinho bloqueou, em grande parte do jogo, as unidades que constroem e aceleram o futebol do Barça. E depois, claro, em defender com todos quase à entrada da área. Guardiola, já em desvantagem, trocou Ibra por Abidal. Maxwell subiu, Pedro teve outra liberdade de ação e Messi encostou mais na linha da frente. Quando se esperava que os catalães tivessem, na parte final, maiores dificuldades física (jogaram no sábado e tiveram que fazer a tal viagem), foi então - também por necessidade de ir atrás do resultado - que o Inter foi sofreu maiores apertos, recuando muito, com toda a gente na área e... a despejar bolas na frente. Mourinho está em vantagem na eliminatória e com inteira justiça. Mas parece óbvio que o campeão europeu ainda tem uma palavra a dizer.
Inter 3 - Barcelona 1 (1ª mão da meia-final da Liga dos Campeões). Análise individual
VALDÉS (2) - Não teve falhas comprometedoras, ainda que fiquem dúvidas sobre o seu posicionamento no lance do golo de Maicon. Em grande parte do jogo foi... líbero.
DANIEL ALVES (2) - Atravessa um período instável. Corre riscos desnecessários e, desta vez, até foi batido por um adversário directo (Pandev) que lhe ganhou a noite. Sofreu falta para penálti (de Sneijder) e viu um amarelo por simulação (?). Enfim.
PIQUÉ (4) - Começa a ser um hábito destacá-lo como o melhor do Barça. Mais um grande jogo e ainda com o mérito de ter sido, na parte final, o "comandante" que deu o grito de ordem para o assalto à baliza de Júlio César. Podia ter marcado por duas vezes e terá sofrido uma grande penalidade.
PUYOL (2) - Exibição negativa. As pernas pareceram pesar-lhe perante a velocidade de Eto'o e Milito e não fica isento de culpas nos golos do Inter: aconteceu tudo à sua porta.
MAXWELL (3) - Muito bem. Rasgou o lado direito da defesa do Inter e ofereceu o golo a Pedro e, no resto, sempre em jogo, ligado à corrente. Um bom regresso a Milão.
BUSQUETS (3) - É difícil vê-lo jogar mal. Fez 84 passes (87% deles certos) e "colou" o meio-campo sempre que foi preciso resistir à pressão forte do Inter. Podia ainda ter marcado, de cabeça, mas Júlio César fez uma grande defesa.
XAVI (3) - Está a pagar o preço de algumas exibições assombrosas que fez nos últimos tempos. Passou a ser moda marcar Xavi em cima, como forma de cortar a corrente do tiki-taka. Sneijder andou sempre por perto, mas, ainda assim, Xavi foi capaz de encontrar o seu espaço. Isolou Pedro com um dos passes com visão "raio x", mas Lúcio travou a jogada in extremis.
KEITA (2) - Abaixo do normal. Menos participativo, menos envolvido, foi dos que mais sentiu o ritmo elevado do jogo. É verdade que correu muito (10,5km, apenas ultrapassado por Xavi, com 11,1), mas é capaz de ter corrido para onde não devia.
PEDRO (4) - Um golo e nova exibição a um nível muito elevado. Foi sempre um quebra-cabeça para quem, no Inter, defendia pela alas. Podia ter bisado já na segunda parte por duas vezes: num remate que Lúcio deteve e num visto pontapé de bicicleta, já nos descontos.
MESSI (2) - Não teve espaço e também não o conseguiu inventar. Mourinho foi hábil na forma como terá mandado controlar Messi: um jogador a sair-lhe rapidamente ao caminho (Cambiasso, quase sempre) e uma segunda linha a chegar em reforço. Messi até podia passar o primeiro, mas logo caía na teia que estava por trás. Num livre directo e num remate de meia distância ainda criou dificuldades ao guarda-redes brasileiro do Inter. E levou a pancadaria do costume...
IBRAHIMOVIC (1) - Desligado. Apertadíssimo entre Samuel e Lúcio, o sueco não foi capaz de cumprir a missão que lhe era pedida. Saiu, sempre surpresa, aos 61'.
ABIDAL (2) - Entrou logo após o terceiro golo do Inter, mas, curiosamente, foi a partir daí que o Barça passou claramente a mandar. Uma boa meia hora. Muito comprometido com o jogo.
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