Parem com isto!
23 Março de 2010 | 16:24
Colocado por: BRibeiro1972
 

O que vimos na última semana em estádios nacionais, nomeadamente em Alvalade e no Algarve, tem de motivar uma reflexão profunda de todos os agentes desportivos, das entidades que o regulam, mas também do Governo. As batalhas campais presenciadas, duas na mesma semana, não são aceitáveis em qualquer outro sector da sociedade portuguesa que não o desporto-rei. Porquê o deixar andar aqui? Estamos a viver sem leis?

Quem manda no país tem de perceber que é preciso atuar quanto antes, sem medo de perder votos ou enfrentar os tubarões do futebol. O que está em causa são já simples razões de segurança dos cidadãos, que não podem ser colocadas em causa por nada, muito menos por um mero jogo de bola. Já pensou quantos milhares de pessoas foram afetadas 5.ª feira por causa da guerra entre as claques do Sporting e do Atlético Madrid, quando estavam num interface de transportes e tudo o que queriam era chegar a casa após mais um longo e árduo dia de trabalho?

Não se trata apenas de estúpidas guerras de gangs, que mais não sabem do que se bater entre eles. Quando chovem pedras sobre todo e qualquer autocarro, quando a polícia dispara balas de borracha para locais em que elas podem matar, a preocupação de quem tem mais de dois neurónios não é a salvação do espetáculo ou que estejam a matar a galinha dos ovos de ouro. Que muitos dirigentes do futebol não querem saber dele e andam por cá apenas por estratégias de poder pessoal ou riqueza alheia, já todos percebemos. Há portugueses que têm vergonha do que se passa. Pode ser uma maioria silenciosa. Mas estão fartos da bandalheira.

Texto publicado na edição impressa de "Record" de 23 de março de 2010

 
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Comentários

# Lougreen disse em 23-03-2010 às 21h45

Caro Bernardo,

E se essa mairia silenciosa  um dia se chatear equando for ao futebol e vir cenas como as vimos nestes dois dias, partir para cima desses vândalos e lhes der aquilo que muita gente pensa, o que acontecerá a essa maioria? Serão detidos e julgados alguns, e os outros que a policia tem identificados ficarão cá fora a rir-se, pois esta é a verdadeira justiça portuguesa.

1 abraço

# LeonardoRodrigues disse em 24-03-2010 às 04h33

Há por aí uma vaga de intelectuais alarmados com o estado da Educação em Portugal e com as consequências futuras de termos um país sobrelotado de incompetentes e “mal-educados”. Acordem! O Futuro já chegou e todos os dias nos entram em casa exemplos de que o mal já está feito. O Estado português está refém de uma classe politica Independente de valores morais e humanos, para quem a Ética passou a ser um programa de televisão. A anarquia sitiou-se nos recintos escolares onde os agressores chamam a si a autoridade que os professores fizeram por perder.

Olhamos para os últimos dias desportivos e constatamos que o Futebol nunca poderia ser um compartimento estanque da sociedade e, em particular, as claques voltaram a ser intervenientes pelas piores razões. Não podemos cair no faciliitismo de pintar a violência de azul, verde ou vermelho. Todos os marginais têm clube embora sejam poucos os priveligiados que ostentam uma braçadeira de capitão. Deveras preocupante e saber que os elementos das claques também já passaram pelos bancos da escola e duvido que os comportamentos que se têm vindo a manifestar nos estádios não fossem, já na altura, uma norma para todos aqueles individuos. Tirem-lhes os autocarros e imaginem mesas da sala de aula, tirem a policia e metam professores e temos um perfeito cenário do resultado da Educação em Portugal. As pedras deduzo que sejam comuns aos dois cenários...! As imagens em redor do estádio Algarve cristalizam o progressivo desprezo que habitantes deste país têm pelos concidadãos e, regra geral, pela Autoridade, que terá também as suas culpas.

Depois tivemos o jogo de futebol, já manchado pelo sangue de uma “educação” feita á base de cavalos, cães, bastões e balas de borracha. Se por algum motivo a claque portista duvidou da nobreza das suas acções os 90 minutos que se seguiram legitimaram todos os procedimentos criminais em que tinham incorrido. Num jogo sem história face á diferença de valores entre as equipas o interpréte da Autoridade e da Justiça em campo teve uma atitude em tudo parecida ao que se passa no nosso ensino Preparatório e Secundário; tratou a debilidade mental do capitão do FC Porto da mesma forma que se tratam os meninos esquizofrénicos ou socialmente desfavorecidos cujos excessos não devem ser contrariados sob pena de marginalizar ainda mais o “menino”.  Fez-me lembrar aquela treta de não reprovar o aluno porque para isso tem de se explicar a razão da reprovação. Saberá Deus o que era preciso para que o central portista fosse expulso mas é certo que Jorge Sousa não tava para perder mais que 10mn com o relatório do jogo.

Pior que aquilo que se passou em campo foi ver o treinador do FC Porto a passar por cima do assunto envolvendo-se numa teia de mentiras que já enjoa todo e qualquer adepto portista. Do presidente também não se espera grande coisa e como Bruno Alves não terá muita vontade de ver o jogo na televisão e ter noção daquilo que chegou a casa de milhões de portugueses, vamos vê-lo embarcar para a África do Sul na ilusão de ter valor e estrutura mental para integrar a Seleção. (Não Sr.Queiroz! Não é a seleção de “todos nós”)

Se há uns anos atrás podíamos pensar que só a perda de vidas humanas levaria á criminalização destes actos a história recente desmente essa possibilidade. Professores e alunos viram no suicidio a solução dos problemas que o Estado lhes apresentou. O adepto preso por homicidio involuntário na final da Taça de 1996 fugiu sem que nunca mais lhe pusessem a vista em cima. Os exemplos de impunidade sucedem-se, dentro e fora do campo, sem que a Justiça se manifeste e Portugal caminha, jogo após jogo, para uma guerra civil sem quartel. A policia vai-se limitando a abater pelas costas condutores que desrespeitam operações stop ou execráveis bandidos que jogam á bola pela noite dentro, á porta dos seus guettos sociais. É dilacerante a estupidez com que se empenham em deter e julgar “terroristas” estrangeiros enquanto passam a mão pelo pêlo dos animais domésticos.

# BRibeiro1972 disse em 24-03-2010 às 14h08

Caro Leonardo,

Clap, clap, clap... é o som das minhas palmas.

Um abraço,

BR

# LeonardoRodrigues disse em 12-04-2010 às 23h31

O meu clap,clap,clap tambem! Só um reparo:toda uma "tribo" que está na genese de todas estas malfeitorias, nao está completa sem a presença de um protagonista principal;os pais.Desde que facilitaram, e quanto mais facilitarem, a permanência desta gente egoista que nao sabe educar em casa, mas quer estar na primeira linha na decisao da educação dos outros, a Educação será sempre uma "coisa" distorcida e enviesada.

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Um espaço para reflexões, crónicas, desabafos, recados, trocadilhos, piropos e tudo que me der na real gana. Onde se vai falar de desporto, música, cinema ou apenas da vida. Real.

Autor

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por Bernardo Ribeiro

Bernardo Ribeiro, formado em jornalismo pelo CENJOR e com frequência do curso de Comunicação Social da Universidade Católica, entrou como estagiário para o Record em 1992, com 20 anos, ficando um pouco mais de dois, nas secções de Internacional, Futebol e Modalidades. Antes colaborou com o semanário "Sete", com textos na área musical e estagiou nas rádios Antena1 e Minuto. Em 1994 integrou a secção Sporting do diário "O Jogo", onde permaneceu mais dois anos até regressar ao Record, também para fazer parte da editoria Sporting. O lançamento do diário "24 Horas", em 1998, e a hipótese de fazer parte de uma equipa que arrancava com um jornal do zero levaram-no à primeira redação do jornal fundado por José Rocha Vieira. Foi editor de Desporto e mais tarde subchefe de redação até à saída para "A Bola", em 2001, jornal em que desempenhou funções de editor durante dois anos. Um novo convite, em 2003, fê-lo voltar ao Record pela terceira vez.

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