Servilismo não!
11 Fevereiro de 2012 | 13:00
Colocado por: Bernardo Ribeiro

Costumo dizê-lo quando à conversa com o meu pai, meio a sério, meio a brincar, que uma das vantagens de trabalhar num jornal desportivo é não ter de assistir de tão perto à degradação de moral e valores de um País que me diz muito e cujas lideranças tão mal têm tratado. Sim, nos jornais generalistas há mais Mundo, mais temas, maior diversidade diária, mas sectores como política e economia, para não falar da degradação da sociedade, tornar-se-iam complicados de gerir quando alguns dos implicados fazem tanta pele de galinha. No desporto, por muito que se goste de Benfica, Sporting ou FC Porto, de futebol ou hóquei em patins, com maior ou menor dificuldade, tudo não passa de um jogo.  Com um papel importante nas nossas vidas, nalgumas até demasiado, capaz de despertar paixões assolapadas, mas se colocado no devido lugar, incapaz de substituir o sorriso do bebé quando chego a casa.

Então o futebol é melhor do que o País? Claro que não. Apenas um espelho, com gente tão limpa ou corrupta como nas restantes actividades. E sabe-se como Portugal é hoje um local de esquemas e compadrios. Ainda assim, o impacto das medidas de um dirigente de clube pouco sério é sempre menor do que a de um político, jurista ou detentor de um cargo capaz de afectar todos os portugueses. E são muitos, infelizmente.

Há algo em que o futebol português é infinitamente mais interessante, digno, até valente. Joga para ganhar. Ao contrário do que acontece com os nossos políticos atuais, capazes das figuras mais tristes perante os congéneres alemães, mas incapazes de assumirem que Portugal ainda é uma nação soberana, onde se deviam tomar decisões a bem dos que cá vivem. Pode-se jogar à defesa, pode-se até acabar goleado. Mas de cabeça levantada, diz-se não ao servilismo.

 
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Comentários

# 1fckoln disse em 11-02-2012 às 14h35

bernardo

com o devido respeito,gostava(se quiser)que me explicasse qual é a diferença,entre"o impacto das medidas de um dirigente de clude pouco sério,e de um politico pouco.

para mim não há politicos e dirigentes nem mt nem pouco sérios(ou são ou não).

e mais milhão menos milhão vai tudo dar ao mesmo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!11111

# julio moreira disse em 11-02-2012 às 16h10

Bernardo, boa tarde.

Se ainda se lembrar notará as vezes e a forma como tenho defendido José Mourinho e a sua forma estar no exterior.

Não é servil.

E isso, independentemente do Real ganhar ou perder, mostra o caracter de uma pessoa.

Podemos discutir opiniões com as pessoas, mas não o seu caracter.

Uns têm-no, e outros não.

Quem recusa o servilismo como forma de estar na vida, tem caracter.

A nossa classe politica tem dado provas, ao longo destes anos, de uma atitude servil face ao estrangeiro.

O problema não é de agora.

Recorda-se Bernardo do orgulho com que se anunciava aos parolos dos portugueses como a Europa nos achava de bons alunos?

O Bernardo lá saberá do gozo que lhe confere a profissão que exerce, na vertente unicamente desportiva.

Mas olhe que, perante mim, a forma como o futebol tem sido tratado nos ultimos anos mostra claramente o País que somos, fora das quatro linhas.

Falta de transparencia, jogadas  debaixo da mesa, compadrio na arbitragem, dinheiros que fluem para paraisos fiscais, há de tudo.

Ao cabo e ao resto como noutras areas da sociedade.

Dentro das quatro linhas conseguimos jogar, por vezes, de igual para igual com os estrangeiros, ou até ganhar-lhes.

Mas aí, a meu ver, porque houve classe que tem investido na formação, no estudo, no trabalho, na sua valorização pessoal e profissional.

Estou a referir-me aos nossos treinadores, hoje em dia muito melhor preparados.

Se calhar pelo efeito Mourinho. Não sei. Mas é factual a sua valorização.

# fc2218 disse em 11-02-2012 às 20h40

Faltou Pedro Proença no Caldeirão...

# fc2218 disse em 11-02-2012 às 21h03

servilismo é do Pedro Proença e do Jorge Sousa...

# fc2218 disse em 11-02-2012 às 21h04

E de certos elementos desse jornal... A quem?

# fc2218 disse em 12-02-2012 às 15h57

O Sr. pertence à direcção de Record. O Sr. José Ribeiro escreve que se aceita a marcação de penalty no Benfica-Nacional? Isto é mesmo verdade?

Mas já não há responsabilidade? Vão dizer que é outra maneira de ver o lance?

Valha-nos Deus. Onde chegou esse jornal...

# Alexandre Calado disse em 13-02-2012 às 11h43

Bernardo,

Escrevo-lhe para elogiar o seu texto. Independentemente do debate que motiva, partilho dessa visão. Já se sabe que há algumas pessoas para quem o futebol é muito mais importante que tudo o resto, o que é de respeitar, mas a quem tem que se dar a devida relevância.

Acrescentaria é que o grande desafio é ter este distanciamento quando não estamos num período excepcional  de crise (vamos ver se não é excepcional muito tempo, adivinho que sim).

Um abraço.

# Blue-Eyes disse em 13-02-2012 às 20h09

.

Eu gostaria é que o Recod e a Bola dessem Destaque, fizessem Manchete com os 17 Milhões de Euros de Impostos que o FCP pagou ao Estado Português em 2011.

Pois !!

# Eurico Miranda disse em 14-02-2012 às 00h18

Bernardo,

um pequeno aparte: gostaria de saber se é possível consultar online a rubrica "Off Record", Sms de humor que acompanha diariamente a versão papel...

Se não se encontra online, recomendo, pois tem diarimente muita piada e mostra um enorme taleto do autor.

Obrigado pela atenção.

# Alexandre Calado disse em 14-02-2012 às 15h59

Eu sei e compreendo que os autores não gostem que comentadores troquem palavras entre si. Mas não resisto a um comentário.

O sr. Blue Eyes (que espero ser um adolescente dada a qualidade da escrita e o nick escolhido) não é de forma alguma mal educado ou insultuoso. Pelo menos o que apanhei. Mas é claramente provocatório e só produz ruído. Ignora os tópicos em discussão, ignora o que os restantes leitores escrevem, o que lhe interessa é gritar banalidades e parvoíces em tons de azul. Nada contra o azul, mas tudo contra uma postura infantil e mais apropriada às caixas de comentários das notícias que aos blogs.

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Sobre este Blog

Um espaço para reflexões, crónicas, desabafos, recados, trocadilhos, piropos e tudo que me der na real gana. Onde se vai falar de desporto, música, cinema ou apenas da vida. Real.

Autor

» Lado B
por Bernardo Ribeiro

Bernardo Ribeiro, formado em jornalismo pelo CENJOR e com frequência do curso de Comunicação Social da Universidade Católica, entrou como estagiário para o Record em 1992, com 20 anos, ficando um pouco mais de dois, nas secções de Internacional, Futebol e Modalidades. Antes colaborou com o semanário "Sete", com textos na área musical e estagiou nas rádios Antena1 e Minuto. Em 1994 integrou a secção Sporting do diário "O Jogo", onde permaneceu mais dois anos até regressar ao Record, também para fazer parte da editoria Sporting. O lançamento do diário "24 Horas", em 1998, e a hipótese de fazer parte de uma equipa que arrancava com um jornal do zero levaram-no à primeira redação do jornal fundado por José Rocha Vieira. Foi editor de Desporto e mais tarde subchefe de redação até à saída para "A Bola", em 2001, jornal em que desempenhou funções de editor durante dois anos. Um novo convite, em 2003, fê-lo voltar ao Record pela terceira vez, então para ocupar o cargo de chefe de redação, tendo passado a integrar a direção no início de 2008.

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