Os "amigos" dos apostadores
11 Fevereiro de 2010 | 19:45
Colocado por: LuísAvelãs
 

O fenómeno das apostas desportivas – que para muitos acontece apenas online, esquecendo-se ou ignorando que, por exemplo, na Grã-Bretanha, existem espaços físicos para apostas há muitos, muitos anos – é, por estes dias, algo de incontornável e impossível de parar. Em Portugal, na Europa, no Mundo.

Não vale a pena andar por aí com choradinhos absurdos, argumentando sem lógica, porque as apostas desportivas não vão acabar, nem sequer diminuir a respectiva actividade. Bem pelo contrário. Na pior das hipóteses, o que seria possível aos apregoadores da moral, da ética e dos bons costumes, era transformar esse mundo em algo obscuro, sem a mínima regulamentação e onde qualquer atropelo às mais elementares garantias e direitos dos cidadãos fosse possível. Já todos deviam saber, pela experiência adquirida noutros temas, que o caminho não é fechar os olhos, baixar a cabeça ou assobiar para o lado. Acompanhar as tendências e saber criar (ou adaptar) as leis correctas, isso sim, é a tarefa que urge levar a efeito, deixando de lado preconceitos bacocos, desmistificando ideias e, por outro lado, dizendo ao mundo que o tempo dos monopólios já não encaixa em pleno século XXI. E, já agora, que todos somos livres de decidir o que fazer com o nosso dinheiro...

As apostas desportivas - como os casinos, os bingos, o euromilhões, o totobola, o totoloto, as lotarias os as “raspadinhas” – não são um “bicho de sete cabeças” como alguns, com a Santa Casa da Misericórdia em primeiro lugar, querem fazer crer. Trata-se, tão somente, de um passatempo para milhões de pessoas, espalhadas pelos mais diversos recantos do planeta que, dessa forma, testam os seus conhecimentos desportivos de forma a procurar retirar proveitos.

Dizer que regulamentar as apostas é abrir caminho a uma actividade que pode minar a sociedade é uma verdadeira anormalidade. É óbvio que estamos a falar de algo que não deve estar disponível aos menores, da mesma forma que se trata de um passatempo desaconselhado a quem vive com dificuldades. Mas, sejamos realistas, se isto é um perigo público... tudo é. Dos bares aos casinos, das discotecas aos bingos. Tudo o que não é essencial à nossa vida, tudo o que for feito de forma compulsiva, gastando o que se tem e não tem... é perigoso. Mas, na esmagadora maioria dos casos, estamos a falar de verbas irrisórias, tanto no investimento, como nos lucros/perdas. Perante isto, alguém me explica a razão de só as apostas merecerem tanta publicidade negativa? A resposta é óbvia: ninguém gosta de ver o seu negócio ser ameaçado pelo aparecimento de concorrência. Mas contra isso... chapéu!

Nos últimos dias, os apostadores nacionais (entre os quais, sem qualquer receio ou vergonha, me incluo) receberam o “apoio” da Liga dos Clubes de Futebol Profissional (através do presidente Hermínio Loureiro) e, indirectamente, do Governo (com declarações de Laurentino Dias). Pelos vistos, já é pacífico para essas duas entidades que, quanto antes, Portugal deve avançar para a regulamentação sobre as apostas, seguindo o que já se passa em muitas paragens. Quer isto dizer que, por mais que levante a voz, a Santa Casa vai perder a sua “guerra”.

Contudo, tal não significa que os apostadores terão, automaticamente, ganho a sua. A legalização/regulamentação será um primeiro passo fulcral, mas depois será necessário que alguém controle, de forma eficiente, as casas de apostas que, como sucede em todos os ramos de actividade, não fazem tudo bem ou, pelo menos, da forma mais correcta. Qualquer apostador com um mínimo de experiência já passou por situações desagradáveis que, naturalmente, não deseja repetir.

A legalização irá permitir que os operadores possam fazer publicidade da forma que bem entenderem e, assim, chegar ainda a mais pessoas e, claro, ganhar mais dinheiro. Clubes, federações e governos beneficiarão, de imediato, com as verbas oriundas de patrocínios e impostos. Contudo, para que o negócio não sofra abalos, é preciso assegurar os direitos de quem faz mexer o mercado: os apostadores. E para isso, entre outras coisas, convém definir, de entrada, que os impostos (directos ou indirectos) devem ser pagos por quem faz o negócio e não pelos apostadores...

 
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Comentários

# Andre Rodrigues disse em 14-02-2010 às 15h19

Sinceramente voces  olham para isto muito mal e de uma certa forma com muito amadorismo. companhias de apostas europeias sao uma coisa e as asiaticas sao outras. Os apostadores pequenos sao a ultima das preocupacoes das casas de apostas a companhias baseadas na Europa mais no Reino Unido que tenhem departamentos que o que fazem e analisar precos e apostarem grandes quantias de dinheiro. Isto sao firmas nao um apostador particular. as oportunidades de negocio aqui sao infaliveis des que perceba de apostas e das probabilidades. eu sei do que tou a falar trabalho no sector. Para nao esquecer ganhos em apostas nao pagam impostos e ja tenhem essa vantagem aos mercados financeiros.

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