Vítor Pereira: a alucinação do líder
19 Novembro de 2011 | 23:01
Colocado por: Luís Avelãs



Ver o FC Porto perder um jogo por 3-0 não é comum. Mas aconteceu em Coimbra, em embate que ditou o afastamento dos dragões da Taça de Portugal. Foi uma surpresa? Não. Os números, claro, são inesperados, mas a eliminação azul e branca só causa espanto a quem não liga ao futebol ou, em alternativa, tem andado distraído. O FC Porto 2011/12 é uma caricatura da autêntica máquina oleada da temporada passada. E sendo assim, perder com a Académica ou com um qualquer Apoel de Nicósia, por exemplo, é perfeitamente normal, pois esta equipa idealizada por Vítor Pereira é também ela… normal. Estranho é saber que, de entre os elementos fulcrais, apenas saiu Falcão, enquanto entraram (pagos a peso de ouro) inúmeros jogadores de valia.

Vítor Pereira é culpado de não ter unhas para tocar uma guitarra tão delicada? Não, não é! Ele, naturalmente, acreditou que era o homem certo para o cargo e tem feito tudo o que considera ideal para tirar o melhor rendimento do conjunto. O problema é que não tem competências para tal. E em muitas situações, a vontade, o amor à causa, não chegam. Ou é suficiente apenas para resolver uns quantos jogos, já que não podemos esquecer da tremenda riqueza do plantel à sua disposição.

Estou à vontade para criticar Vítor Pereira. Ao invés de muitos, nomeadamente os mais acérrimos sócios e adeptos azuis e brancos, sempre disse que este não era o homem certo para suceder a Villas-Boas. E comecei a apostar nisso logo na sua apresentação, naquela cerimónia em que foi fácil perceber que nem tudo o que era dito devia ser levado à letra. Tenho consciência que arrisquei. Mais: o bom-senso mandava esperar. Porém, quem opina tem o dever de, por vezes, tentar “ler” o futuro. Desta vez… acertei!

Bem sei que, antes do treinador espinhense, também Villas-Boas foi uma aposta de risco por parte dos dirigentes portistas, mas esse ainda chegou ao Dragão com um pouco de experiência de Primeira Liga. Vítor Pereira, pura e simplesmente, não tem currículo para liderar nenhuma equipa do escalão principal, quanto mais o FC Porto. O “timing” da deserção do agora responsável do Chelsea teve, obviamente, influência directa nesta solução mas, convenhamos, um clube de topo não pode ser apanhado tão desprevenido. Ou, pelo menos, demorar uma eternidade a reparar um evidente erro de "casting".

A grande crítica que faço a Vítor Pereira é que passou o tempo a tentar colocar-se em bicos dos pés, a utilizar discursos preparados, a desejar vender uma imagem que não é sua em vez de encontrar maneira de a equipa jogar futebol algo que, a avaliar pela última hora e meia, tem conhecido um significativo retrocesso. Então a forma como procurou puxar para si parte considerável do sucesso da época passada ficou-lhe muito mal, assim como revelou o óbvio: tinha dúvidas, medo, precisava de arranjar uma almofada.

Mas, se nos últimos meses temos visto, ao nível da constução do onze e das substituições, verdadeiras alucinações por parte do técnico – que também já se percebeu não ser propriamente estimado pelos futebolistas… -, a maior de todas continua a ser protagonizada pelo presidente Pinto da Costa. O líder astuto do passado errou na escolha, errou em não agir aos primeiros sinais de crise e parece continuar disposto a errar, mantendo-se impávido e sereno. Já sacrificou a Taça de Portugal e a “Champions” pode ser o próximo objectivo a fugir. Haverá explicações para esta postura? Quem o viu e quem o vê…

PS – Mesmo que Pinto da Costa não avance com o despedimento do treinador, Vítor Pereira deveria ser capaz de dar um sinal de sobriedade. E nesta altura a atitude correcta é bater com a porta, na pior das hipóteses logo após o jogo da “Champions”. A equipa não está com ele, os adeptos também não e a maioria dos dirigentes idem idem…

 
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Comentários

# Lyoncorner disse em 20-11-2011 às 01h01

Meu Caro

Nesse ponto concordamos em toda a linha, pois foram as primeiras declarações que mostraram que ia dar mau resultado.

Quem é bom e competente, e tem confiança no seu trabalho, não precisa de passar o tempo a dizer que os títulos do ano passado também são dele, chegando ao ponto de dizerr que André Vilas Boas quando fazia substituições, fazia-o de acordo com ele. E isto diz tudo sobre a sua (in)segurança para a empresa que tinha por diante.

Aqui disse por variadas vezes que, enquanto jogasse com os jogadores do ano passado, a coisa ia andando. O pior era quando precisasse de mexer na equipa, pois não sabe.

Foi assim no Santa Clara, porque havia de ser diferente no Porto?

Quanto ao fim, pode ter a certeza que vai ser ele que vai apresentar a demissão, para salvar a pele a Pinto da Costa, que não vai querer assumir o tremendo erro cometido. Aliás, esse pedido de demissão é só para enganar tótós, porque ele vai ser mesmo demitido, mas para fora vai ser dito qu foi ele que apresentou a demissão.

Um abraço

# Luis Cardoso disse em 20-11-2011 às 02h44

curioso...ainda ha poucos dias ia jurar que tinha lido um artigo de opiniao seu completamente diferente deste que aqui escreve agora...mas deve ser alucinacao minha!

# Luis Cardoso disse em 20-11-2011 às 02h54

P.S - discordo quando diz que os adeptos nao estao com ele...a esmagadora dos adeptos de futebol em Portugal esta claramente com ele e nao espera outro desfecho que nao seja a sua continuidade...e rezo que nao apareca um abramovich desta vida a bater com os 18M em cima da mesa!

# José11Moreira disse em 20-11-2011 às 04h27

Concordo com (quase) tudo o que disse... à excepção de não considerar VP culpado pela falta de "unhas" para esta guitarra, exactamente por, como você também diz, se ter colocado em bicos dos pés quando achou que mesmo sem o líder seria capaz de, no mínimo, manter a qualidade. Desacreditou o mentor e deu-se mal, muito mal.

# Andre16 disse em 20-11-2011 às 12h49

Antonio Pedro Vasconcelos, a época passada no programa Trio D'Ataque, so para diminuir Vilas Boas gozava com ele porque nao sabia o que fazia, porque as substituições não tinham sentido, porque perguntava tudo a Vitor Pereira e o adjunto percebia mais que o principal. Ta ai a resposta de quem percebia o que...rua com este que ja ta la a tempo de mais

# c.lemos disse em 20-11-2011 às 13h53

O homem está perdido... e não diz coisa com coisa.

# Biscoito Avatar disse em 20-11-2011 às 15h38

Vitor Pereira nao tem estaleca pa dirigir qualquer clube. Ponto final. Espero que fique por lá muito tempo!

# Ruquinha22 disse em 21-11-2011 às 10h50

Para além de subscrever o que o Luís Avelâs escreveu gostaria de acrescentar isto:

O princípio de Peter diz que uma pessoa sobe até o seu nível de incompetência. Este não podia ser um exemplo mais elucidativo.

Vitor Pereira não têm visão estratégica. Vitor Pereira não lê bem o jogo quando este está a decorrer. Vitor Pereira não é um líder. Vitor Pereira não é escutado pelos jogadores. Até o poderia ser quando era segundo treinador (o amigo) mas não o é enquanto primeiro, o chefe.

Outra das suas descomunais pechas é a sua inépcia em exprimir-se. Pode perguntar-se se Jorge Jesus não padece do mesmo mal. Sim. Só que, mesmo com o seu português de fraquíssimo nível, JJ acaba sempre por conseguir dizer o que quer porque - e aqui é que está a diferença - ele sabe o que quer dizer, ao contrário de VP que quando fala, por exemplo à comunicação social, parece nunca ter ideias concretas na cabeça.

Os erros estratégicos comunicacionais (e aqui Pinto da Costa não o ajudou, bem pelo contrário) sucederam-se em catadupa. Tentou tudo. Desde o discurso meramente casuístico, até ao dizer que muito do sucesso do ano passado se deve a ele próprio, passando pela afrontação a JJ até ao murro na mesa. Ele viu o que outros haviam feito e tentou imitar. Valha a verdade que o pobre do homem não teve a sorte de acertar uma única vez. Aliás, houve uma, sim. Esta última, em Coimbra, quando disse que não sabia o que se havia passado, que não encontrava explicação. Finalmente a sinceridade e na sinceridade o acerto. Só que, esta mesma sinceridade não só não lhe serve de nada como revela a quem ainda não tinha conseguido ver, que VP não tem consciência da sua própria incompetência. Não sabe os seus limites. Não sabe que não é pessoa/treinador para estar à frente dum clube como o FCP.

Como português, estando o Porto numa competição europeia, lamento-o profundamente. Mas mesmo como adepto dum rival interno (não, não é o Benfica) o único gozo que me dá ver coisas como as que aconteceram em Nicósia e em Coimbra advém de não nutrir nenhuma simpatia pelo senhor Pinto da Costa. Tirando isto, lamento, mas LAMENTO PROFUNDAMENTE ver uma equipa(??) com aquele emblema na camisola, fazer figuras como as que vi fazer nestes dois jogos. Mau demais.

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Mais do que ver o que se passa à nossa volta é importante olhar “a sério”. Num planeta cada vez mais globalizado - e onde a informação circula a uma velocidade estonteante – é impossível estar atento a tudo, mas falhar o essencial é um erro grave. Este será um espaço com particular atenção ao desporto, mas onde todas as áreas serão susceptíveis de abordagem. Comentar, analisar e suscitar a discussão saudável são os propósitos desta experiência jornalística, mas igualmente de cidadania.

Autor

» Olhos de Ver
por Luís Avelãs

O gosto pelas letras, pelos jornais, começou cedo, antes de entrar na escola. A razão dessa paixão sempre foi um mistério. Aos 17 anos, depois de uma primeira tarde a experimentar ser jornalista, a decisão estava tomada. Era isto que queria. Foi há muito tempo...

 

 

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