O que sabe Vítor Pereira
29 Janeiro de 2012 | 23:23
Colocado por: Luís Avelãs



O treinador do FC Porto sabe que a sua equipa foi prejudicada em Barcelos, na inesperada derrota (1-3) com o Gil Vicente. Sabe e fez questão de o dizer no “flash interview” e na conferência de imprensa que se seguiram ao embate. Com efeito, teve razão em apontar o dedo ao trabalho da equipa liderada por Bruno Paixão que, entre vários erros, acabou por falhar mais em prejuízo dos azuis e brancos.

O responsável portista sabe também que, durante os primeiros 45 minutos do duelo no Minho, os seus jogadores não jogaram... nada! Vítor Pereira tem tanta certeza disso que, enquanto não levou a conversa para temas secundários (como convém sempre que estamos atrapalhados e sem saber o que dizer em relação ao tema principal), assumiu que o desempenho dos seus futebolistas na primeira etapa foi “apático”, que a equipa não “mostrou nada” e que isso é impróprio para quem “quer ser campeão nacional outra vez”.

Vítor Pereira sabe ainda que, na segunda metade, a equipa melhorou (e muito) de rendimento só que, com uma desvantagem de dois golos da etapa inicial – a que se juntou mais um logo no reatamento -, foi impossível assegurar, pelo menos, a conquista de 1 ponto que, nesta altura, com o Benfica numa sequência de 7 triunfos consecutivos, muito jeito daria para manter a candidatura ao título menos complicada.

Em resumo, o técnico que Pinto da Costa insiste em dizer que foi uma primeira escolha para suceder a André Villas-Boas, o tal que de repente – aos olhos de alguns – teve quase tanta (ou até mais) influência na época de sonho da temporada anterior... sabe muitas coisas. E como convém, assume-as publicamente. É justo.

Curioso é que, sempre que o FC Porto resvala, na exibição, no resultado ou em ambos os casos... o treinador só sabe dizer que a coisa correu mal, que a atitude foi demasiado passiva, etc, etc. Gostava era de o ouvir dizer quais pensa serem as razões para isso. A equipa joga mal por obra de quem? O conjunto tende a melhorar após as substituições devido a quê, à má formação do onze? A falta de atitude deriva da ausência de liderança, de voz de comando?

Vítor Pereira, pelos vistos, sabe (ou desconfia) que as faixas já estão a ser encomendadas para outro lado. Volta a ter razão. Só ainda não percebeu que se isso se verificar, para além do mérito alheio, ficará a dever-se a erros vários da concorrência directa. A maioria com uma assinatura que ele conhece bem...

PS – Inacreditável a forma como Vítor Pereira, num primeiro momento, desrespeitou a sensacional prestação de um Gil que, na Luz, já havia dado bastante trabalho. Pretender resumir o feito dos homens de Paulo Alves a apenas uma exibição “digna” é... absurdo. Felizmente, minutos após o “flash interview”, conseguiu ser um pouco mais... verdadeiro na análise.

PS 1 – Pinto da Costa continua fiel à sua aposta em Vítor Pereira. E ela continua a levá-lo para uma época previsivelmente inversa à anterior. Erros todos cometemos, não aceitar que os fazemos e insistir neles não é próprio de quem tem um passado recheado de sucesso.

PS 2 – Vítor Pereira não foi o único treinador com um mau discurso nesta jornada da Liga. No sábado, em Santa Maria da Feira, Jorge Jesus também só viu o que lhe interessou. E até demonstrou saber, na conversa com os jornalistas, que o Feirense só tinha tido uma oportunidade, aquela que transformou em golo. Tem razão. O golo (mal) anulado e a bola que bateu na trave, por exemplo, não se viram no Marcolino de Castro. Só na minha televisão!

 
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Comentários

# José11Moreira disse em 30-01-2012 às 00h10

O Porto jogou mal, foi prejudicado pela arbitragem, mas perdeu bem. Não me parece nem elegante nem inteligente vir dizer-se que o árbitro errou para que outros encomendem as faixas de campeão.

De facto, este ano, no FCP tudo tem sido feito ao contrário. Desde a formação da equipa técnica à formação do plantel. Quanto à equipa técnica já muito se falou não vale a pena bater mais no ceguinho. No que diz respeito ao plantel, cada vez entendo menos a ideia de quem comanda a politica desportiva azul e branca.

1º Saí Falcao e não é assegurado um substituto, deixando o plantel de um jovem (Kleber) e de um mal-amado, gordito e mais propenso às noitadas (Walter).

2º Contrata-se um jogador por 18 M€... Não se coloca em causa a valia de Danilo, mas o FCP ao contratar alguém por 18M€ pressupõe ganhar quanto numa futura venda? Parece que os tempos de comprar barato, valorizar e vender (muito) caro, são coisas do passado nas antas. Já para não falar do ridículo a que o Porto se expôs com a, não menos ridícula, cláusula que permitia ao Santos segurar Danilo até Junho caso não vencesse um campeonato do mundo de clubes onde defrontaria o Barcelona, obrigando PC a libertar Fucile a custo...0!!!

3º Com dois laterais no plantel (Sapunaru e Fucile) insiste-se num central para a lateral direita.

4º É dada como certa a saída de Belluschi, o único médio com capacidade criativa e desiquilibradora no plantel Portista, ao mesmo tempo que se dá conta do interesse em Ganso (???). Então não era o negócio de Ramires uma farsa porque o Benfica não era mais que uma "barriga de aluguer"?? e por quanto pensa o FCP comprar o craque brasileiro??

5º Para Ganso parece haver dinheiro, mas para um ponta de lança é mentira...

6º Embaraçoso, é o mínimo que se pode dizer, dos episódios protagonizados pelo FCP com o incumprimento no pagamento de Mangala e mais recentemente de Alex Sandro.

Eu como adepto Benfiquista estava mais habituado a ver este tipo de cenas em minha casa, nunca pensei, como PC ao leme, ver isto acontecer lá para os lados das Antas.

Quanto a JJ, mais grave que não ver as oportunidades alheias e erros de arbitragem, é entrar para o jogo desprezando a capacidade do adversário, coisa que nos ia custando os 3 pontos. É inconcebível que, depois de admitir que o jogo iria ser difícil e com pouca nota artística, JJ entre em campo noutro sistema de jogo que não o 4-2-3-1, dando ao meio campo capacidade de controlo de bola e de jogo... foi irritante ver Aimar e Javi sozinhos a tentar controlar o meio campo adversário com 3,4 elementos... Da próxima pode não haver Varela que nos salve!

# mr fighter disse em 30-01-2012 às 00h47

Luís Avelãs

o presidente do fcp ganharia o quê em assumir aquilo que todos vimos?, que nem na cabeça de villas-boas passava que o oligarca russo batesse os 15 milhões em cima da hora, deixando o fcp na mão, nem pinto da costa tinha alternativa credível naquela altura.

restava-lhe assumir vitor pereira e fazer como sempre fez com os seus treinadores, protegê-los, até ao limite do razoável.

p.s. vitor pereira poderá não ser o treinador para o fcp ( eu penso que não é) mas a conjuntura em que assumiu o comando da equipa, mais os erros de planificação, incomuns no clube, também têm contribuido e de que maneira para o seu insucesso.

p.p.s".Vítor Pereira, pelos vistos, sabe (ou desconfia) que as faixas já estão a ser encomendadas para outro lado. Volta a ter razão. Só ainda não percebeu que se isso se verificar, para além do mérito alheio, ficará a dever-se a erros vários da concorrência directa. A maioria com uma assinatura que ele conhece bem..."

subscrevo.

# manetz disse em 30-01-2012 às 08h56

Desde quando, num lance intencional em que um jogador quer centrar e por sorte a bola vai à baliza e bate na parte superior da trave, pode ser considerado uma oportunidade de golo?!!!

Mas devo ser eu que não percebo nada de futebol...

PS - Entende-se por golo anulado, quando a bola entra na baliza e posteriormente o árbitro apita. Não foi o caso, como tal...

PS1- E se o Artur depois do árbitro ter apitado, não se tivesse feito à bola?

PS2 - Com tantas oportunidades flagrantes, o resultado justo seria 7-3!!!

# Nuno Campos disse em 30-01-2012 às 10h50

Só umas perguntas:

O golo do Feirense foi mal anulado porque o pé em riste do Diogo Cunha, quando disputa a bola com o Luisão, não é pé em riste?

Aos 26 minutos o Mika não fez braço na bola dentro da grande área na sua televisão?

Aos 63 minutos a sua televisão não mostrou falta do Thiago sobre o Maxi merecedora do segundo amarelo e consequente vermelho?

Cumprimentos.

# Lyoncorner disse em 30-01-2012 às 15h44

Que o Porto jogou mal, é algo que ninguém ousará contrariar e, não deixará de concluir que tem sido regra nesta Liga, pois mesmo quando ganha, as exibições não são convicentes e são resultado de manifestações individuais e não colectivas.

Este Porto não tem atitude e agressividade, não morde os dentes e atira-se ao adversário com raiva, antes parece conformado à sua sina.

James, um desiquilibrador nato, amarrado à esquerda, sem ordem de soltura; Álvaro Pereira sem um médio à sua frente, que pudesse funcionar como pivôt e o libertasse para as correrias pelo flanco; Belushi na direita, onde o poder de fogo e de jogo interior é menos influente; Uma primeira parte entregue ao adversário, por ausência. Demasiados erros num só jogo, para aspirar a algo mais.

Os erros de Paixão podem ter tido influência, sobretudo tendo em conta o momento e o resultado verificado na altura. Mas o que é mais evidente não são os erros de Paixão, mas sim a viciação da Liga através dos árbitros e auxiliares. Nesta mesma jornada, um resultado é viciado pela anulação de um golo limpo, o qual daria um empate ao Benfica, em vez da vitória.

Na primeira jornada, quando o Gil recebeu o Benfica, um penalty inexistente deu um empate, quando deveria ter sido uma derrota.

São 4 dos 5 pontos de atraso do Porto. E mais haveria para contar, mas que explicam como uma equipa está de facto a ser levada ao colo, pelos árbitros, pelos jornalistas e afins, rumo a mais um título digno dos apitos, sejam eles dourados ou encarnados.

Só não vê quem não quer ou é intelectualmente desonesto.

Entretanto, noutro jogo vimos Duarte Gomes passar o jogo inteiro a provocar os leões, em especal João Pereira, com essa coisa inexplicável e que só pode ser mesmo provocação, de serem assinaladas 23 faltas aos leões e 12 ao Beira-Mar. Mas vindo de alguém que em Alvalade, vendo que Fernando Peres estava a aquecer Patríco na baliza Norte, foi aquecer em frente à baliza, agredindo mesmo Fernando Peres, não se esperava outra coisa, de alguém que é um provocador nato de leões e com eles gosta de exibir o autoritarismo típico de quem não tem autoridade, porque lhe falta credibilidade.

A pouca vergonha é tanta, que até aquele que era até há pouco tempo o jornal mais equilibrado (O Jogo), com uma edição portista a Norte e uma edição aceitável a Sul, já optou por uma edição portista a Norte e uma edição vermelha a Sul. Também, quem consegue entrregar a dois jornalistas de caserna, como são Jorge Maia e José Manuel Ribeiro e a um crítico de futebol, que de futebol pouco percebe, como é o caso de António Tadeia, não se podia esperar muito mais.

Esse vai ser o primeiro título a desaparecer. Vai uma aposta?

# 1fckoln disse em 30-01-2012 às 16h13

eu como vejo o futebol portugues a grande distancia,o que posso dizer?......espalharam se os 2 ao comprido 1 mais do que outro!!!!!!!!!!!!!!!!!

# miguel r.silva disse em 30-01-2012 às 19h25

"E até demonstrou saber, na conversa com os jornalistas, que o Feirense só tinha tido uma oportunidade, aquela que transformou em golo. Tem razão. O golo (mal) anulado e a bola que bateu na trave, por exemplo, não se viram no Marcolino de Castro. Só na minha televisão!"-- Caro L.Avelãs, deixo-lhe aqui só umas indicações:

1- O árbitro já tinha apitado aquando do remate, logo não há golo anulado; nunca se saberá o efeito que o apito tem no GR e no avançado, logo nunca se saberá o que aconteceria se não houvesse apito; para além do mais, parece-me que há jogo perigoso passivo nessa jogada, mas como não há boas repetições...

2- A bola à trave é uma oportunidade? Um jogador que cruza e, por capricho da relva/bola/vento/bota, envia a bola à PARTE DE CIMA da trave? Considera isto uma oportunidade? Permita-me discordar por completo. E MESMO se fosse, querer usar o lance para tentar dizer, por caminhos turtuosos, que o empate se calhar era mais justo...enfim...o que dizer então das 4 ou 5 oportunidades do rodrigo, a perdida incrível do gaitán...

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Autor

» Olhos de Ver
por Luís Avelãs

O gosto pelas letras, pelos jornais, começou cedo, antes de entrar na escola. A razão dessa paixão sempre foi um mistério. Aos 17 anos, depois de uma primeira tarde a experimentar ser jornalista, a decisão estava tomada. Era isto que queria. Foi há muito tempo...

 

 

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