A hora da verdade para o Benfica
21 Fevereiro de 2012 | 13:55
Colocado por: LuísAvelãs
 



Duas derrotas seguidas e um jogo sem marcar golos. De repente, a “máquina” benfiquista deixou transparecer que, tal como qualquer outra, também tem problemas, dificuldades e períodos de menor rendimento. Quando já muitos consideravam que a questão do título estava tratada e que a eliminatória da “Champions” com os russos do Zenit não passava de uma mera formalidade... as dúvidas apareceram.

Se em São Petersburgo ninguém pode apontar o que quer que seja à formação da Luz – os erros existentes foram mais do que compreensíveis face às adversas condições em que se disputou o encontro -, em Guimarães o Benfica não jogou aquilo que sabe e pode. Mérito para o Vitória e para o seu treinador (paulatinamente vai mostrando ter argumentos para sonhar com uma cadeira mais apetecida), mas também culpa própria das águias que, provavelmente ainda na ressaca da dura deslocação ao Leste, começaram o jogo à espera que algo caísse do céu.

E se os encarnados acreditavam que uma qualquer dádiva dos deuses seria suficiente para somar os 3 pontos, foi num lance aparentemente inofensivo, um remate à meia volta e sem muita força, que os locais conseguiram o único golo do encontro. Aí estava a primeira derrota na Liga para o Benfica.

Como Jorge Jesus fez questão de realçar logo no “flash interview”, este deslize, na essência, não alterou muito, pese o FC Porto ter passado a depender também só dos seus resultados para renovar o título. Por agora, embora só com 2 pontos à maior, continuam a ser as águias quem lidera, tem vantagem e surge em posição mais favorável para terminar a longa maratona de 30 jornadas na frente.

O problema é que ninguém sabe como é que o conjunto benfiquista vai reagir a duas partidas com resultado negativo. Olhando para o calendário acredito que o Benfica será campeão se vencer os três próximos jogos da Liga (Académica e Paços de Ferreira, fora, com o clássico com o FC Porto, em casa, pelo meio). No entanto, basta ganhar apenas dois e perder com os dragões e tudo poderá ser diferente. Para tornar o momento mais delicado, quatro dias depois da recepção aos azuis e brancos e cinco antes da viagem à Mata Real, a equipa encarnada tem de bater, na Luz, o Zenit para seguir para os quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Continuo a considerar que este Benfica tem capacidade suficiente para responder de forma positiva à delicadeza do momento – ainda por cima sabendo que diante dos seus adeptos as águias têm tido um aproveitamento notável esta época -, mas também admito que mais dois deslizes podem transformar aquilo que há semanas parecia talhado para ser uma temporada de sucesso... num mar de desilusão. Mas, naturalmente, o futebol é isto mesmo. E ainda bem!

PS – Não entendi a razão de Jorge Jesus ter demorado uma eternidade a fazer as segunda e terceira substituições em Guimarães. Se a equipa estava a perder não faria sentido tentar, mais cedo, qualquer coisa?

PS 1 – Tenho dificuldade em vislumbrar o que se passa com Saviola. Compreendo que o argentino tenha perdido a titularidade face ao melhor rendimento de alguns companheiros de sector, mas custa entender que, de repente, o experiente avançado não sirva sequer para ser suplente utilizado quando é preciso marcar golos.

PS 2 – O plantel encarnado é vasto e possui soluções de elevada qualidade mas, para além da óbvia debilidade no posto de lateral esquerdo (Emerson não deveria ser mais que uma segunda escolha para o lugar), parece inequívoco que quando falta Javi Garcia... falta muita coisa.

 
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Comentários

# idolatrica disse em 21-02-2012 às 14h55

O slb não vale um caracol! No entanto os árbitros vão resolvendo as coisas!

# Amato disse em 21-02-2012 às 16h49

Tantas vezes o jarro foi à fonte...

Ao longo desta época, por inúmeras vezes, chegavam sinais que desaires como estes,  poderiam acontecer em qualquer altura. Quem pode garantir que o resultado na Feira seria a vitória se não fosse o auto-golo, poucos minutos após o 1-0? Com excepção do resultado, ambos os jogos parecem a papel quimico,  em termos estratégicos e tácticos, o estado do terreno de jogo... A equipa foi superando as dificuldades por mérito individual dos jogadores e com alguma sorte à mistura.

Jorge Jesus à semelhança do que aconteceu nas épocas anteriores, não consegue ou não quer perceber os sinais de uma equipa desiquilibrada, porque metade dos jogadores só atacam. Não vislumbra que os treinadores adversários repetem sucessivamente o mesmo sistema táctico, que só não tinha sido bem sucedido anteriormente porque há sempre um Rodrigo, Aimar, Gaitan, etc, que tiram um coelho da cartola. Ontem isso não aconteceu e Jesus não conseguiu antecipar essa eventualidade. Pois... a grande diferença entre um treinador jeitoso e um grande treinador !

Para o jogo de ontem esperava-se uma demonstração do espírito de sacrificio e abnegação desta equipa, até pelas palavras de Jesus na abordagem ao jogo - pelos vistos o dircurso foi para adepto ouvir... e que é que o treinador prepara para Guimarães? Uma equipa e uma estratégia igual ao jogo em casa contra o Setúbal! Com a mesma entrada em jogo, apática...

Porque é que será que tenho a certeza que a Académica vai entrar no jogo do próximo fim de semana, com pressão alta e superioridade numérica no meio campo? e que o  relvado de Coimbra estará enlameado?  Jorge Jesus está acima destas questões insignificantes, afinal ele é o mestre da táctica!

# Burlesconi disse em 21-02-2012 às 16h54

Sendo certo que, em termos matemáticos, o Fcp depende de si próprio para revalidar o título, o gozo que não provocaria na paróquia, a 15 dias de ir ao Dragão e a 2 pontos do 1º lugar, o Benfica andar por aí a deitar foguetes, recordando que só dependia de si para ser campeão. Ao Benfica sucedeu o que ao seu rival havia sucedido há 3 semanas em Barcelos. Jogou mal e perdeu.Depois disso até já foi derrotado no seu feudo para a Liga Europa. Será por ter ido vencer a Setúbal, numa partida que mais pareceu um piquenique nas margens do Sado, que a sua percentagem de chegar ao título aumentou considerávelmente? E não me venham com a melhoria da equipa graças ao reforços de janeiro. Sendo certo que o rapaz alto marcou 2 golos, um em posição irregular e outro oferecido pela defesa do Vitória de  Setúbal, a verdade é que parece tratar-se de um jogador cujo principal e único atributo é ser comprido. No que respeita ao Lucho, ou me engano muito, ou já não está para grandes trotes. Por isso, nem tanto ao mar nem tanto à terra.

# AndreAlmeidaSLB disse em 21-02-2012 às 18h32

Parabéns Luís Avelãs, mais uma excelente cronica.

# Kant disse em 21-02-2012 às 19h21

Quando falta Javi falta porrada no adversário.

# José11Moreira disse em 21-02-2012 às 23h46

Em Guimarães aconteceu aquilo que esteve para acontecer em Sta. Maria da Feira...

Mais uma vez JJ, num acto de (habitual) presunção de superioridade total, coloca um meio campo com apenas 2 jogadores contra 5!!!! dos Vimaranenses. Contra o Feirense a coisa esteve para acontecer, ontem, com o cansaço provocado pelo jogo e viagens à Rússia, aconteceu mesmo, e com isto o Benfica perde uma excelente oportunidade de colocar uma pressão brutal no FCP para o jogo da Luz, quando já todos vimos que o timoneiro portista não lida muito bem com ela.

JJ tem muitos dos méritos desta equipa, e a ele se deve o devolver da chama competitiva aos adeptos, mas estas sucessivas demonstrações de chauvinismo e supremacia bacoca já me vão fazendo saltar a tampa.

Será tão difícil assim perceber que jogar com Javi Garcia e Aimar, juntando-lhe Ramires é completamente diferente de jogar com Matic e Aimar sem que nenhum dos alas seja propenso a defender??

A gestão do jogo foi, sob todos os aspectos, aterradora. Caso JJ entrasse com um meio campo de 3 jogadores, no decorrer do jogo poderia, caso a coisa estivesse a dar para o torto, tirar um dos médios e colocar um avançado e voltar ao 4x1x3x2, ou caso estivesse a correr bem, bastava gerir sem necessidade de reforçar. Mas ao entrar com 2 jogadores no miolo e ver a equipa perder o meio campo sem conseguir ter a bola para poder ser criativa, juntamente com um golo sofrido era obvio que já não dava para emendar a mão e retirar um avançado e colocar um médio.

Jesus poderia fazer uma gestão do jogo de trás para a frente, mas optou pela inversa e deu-se mal... muito mal. Sendo assim obrigado a perfilhar a culpa da derrota, mas nem isso foi capaz de fazer no final do jogo.

# Lyoncorner disse em 22-02-2012 às 07h39

Pois é meu Caro Julio Moreira

Afinal não é tão dificil. Dois alas bem encostados à linha, pressionando os laterais. Um avançado a prender os centrais. Junte-se a inferioridade numérica no meio campo e propeñsão de Matic para se adiantar no terreno, abrindo uma cratera nas suas costas, e a sua incapacidade para acorrer aos desiquilíbrios defensivos, e marcações certinhas aos avançados benfuqistas e a equipa fica amordaçada.

O Benfica foi incapaz de trocar a bola a meio campo, de criar desiquilibrios e situações de 2X1, para além de se ter exposto às transições ofensivas do adversário, em regra com lançamentos para os alas opostos, que culminavam em envolvimentos com o médio ou em cruzamentos para a área, onde Edgar não permitia que os centrais acorressem a ajudar os laterais.

No golo, Garay perde nas alturas com um médio que nem é alto, ninguém consegue afastar a bola na zona central e Matic não pressiona Toscano, E assim se faz a história de um jogo.

Lembra-se quando disse que o Benfica era uma equipa desiquilibrada, com falta de laterais e médios que marcassem? Para agravar a situação, Jesus cede Amorim, perdendo quem melhor podia ajudar a resolver o problema. Segundo ele, para jogar Amorim, tinha que tirar Cesar, ou Ramirez ou Nolito. O problema é que esses não defendem, nem pressionam, só atacam. O resultado está à vista.

Vamos ver se não temos repetição do que aconteceu para a Taça o ano passado, até porque este Porto tem agora mais e melhores soluções, se bem que considere que Lucho e Moutinho estão trocados. O Porto agora já pode jogar pelas laterais, em vez de entregar a Hulk a resolução dos problemas como fazia. E sobretudo tem um destinatário para os cruzamentos, coisa que não tem tido esta época.

Em Coimbra o Benfica vai ter que lutar contra um treinador que vai incentivar até ao tutano os jogadores, ou não fosse ele portista; a falta de Luisão; um avançado que faz mossa e se quer afirmar; um meio campo que marca bem e ataca melhor, com um bom poder de fogo; uma Académica necessitada de dar a volta a resultados negativos. E é bom lembrar a forma como o Porto foi ali derrotado para a Taça, que demonstra que o jogo é mesmo para ser levado a sério.

Voltará Javi e o equilíbrio defensivo. Um ponto positivo. Porém, com alas criativos e sem mais médios de marcação, mesmo que não entrem na área, Morais, Adrien e Valente podem fazer estragos à entrada da área. Todo o cuidado será pouco, até porque a Académica não se vai expor às transições ofensivas do Benfica.

Para seguir com atenção.

Porque a Jesus falta a humildade e a competência dos grandes treinadores, julga que um jogo se ganha com avançados. Esquece-se que um jogo ganha-se no meio campo e com equilíbrios.

De todo o modo, acho mesmo que a chave pode estar no futuro Benfica-Porto, com a agravante de ao Benfica só lhe interessar a vitória, pois o empate mantém o Porto a 2 pontos e a derrota significa ser ultrapassado, perder ânimo e fortalecer um Porto em claro crescimento.

# Lordkaos disse em 22-02-2012 às 13h25

O FCP, só fazendo uso dos seus "recursos" habituais é que vai conseguir ganhar à Luz, que dizer do campeonato...

Ganharam à última equipa da tabela e já julgam que são uma super-equipa...e depois o Jesus é que é o arrogante...

# Utilizador Registado disse em 22-02-2012 às 22h01

Lyoncorner o Ramirez já saiu. Está no Chelsea.

E agora permita-me brincar: o Sporting tinha um treinador tão à mão e foi buscar o Sá Pinto?

Agora é que eu fiquei atrapalhado: já não sei se você é do Sporting ou do Porto...

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Autor

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O gosto pelas letras, pelos jornais, começou cedo, antes de entrar na escola. A razão dessa paixão sempre foi um mistério. Aos 17 anos, depois de uma primeira tarde a experimentar ser jornalista, a decisão estava tomada. Era isto que queria. Foi há muito tempo...

 

 

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