Alargamento cozinhado à maneira
13 Março de 2012 | 16:03
Colocado por: Luís Avelãs
 



Vai por aí um grande barulho em relação ao número de participantes nas duas principais ligas de futebol a partir da próxima época. E a coisa, para além de bastante discutível, parece não ter fácil solução. Basicamente porque, como é tradição neste país, poucos estão verdadeiramente empenhados em discutir a questão ou, dito de outra forma, apenas sentem necessidade de levantar a voz para defender aquilo que, de momento, serve os interesses da sua cor. A coerência, a justiça das medidas ou a desejada adequação dos quadros competitivos não passam de meros pormenores que são ajustados como dá jeito.

Ponto prévio: sou a favor do alargamento do escalão principal. E sou porque não vejo que a qualidade do futebol praticado seja melhor com 16 emblemas em vez de 18. O que sei, comprovado pelos números, é que o Campeonato Nacional é cada vez mais equilibrado, ao ponto de, todas as épocas, os chamados grandes perderem cada vez mais pontos com os restantes participantes, inclusive com aqueles que, feitas as contas, acabam relegados (ou, melhor dizendo, em postos de despromoção). E não me falem na sobrecarga de jogos. Em Inglaterra e Espanha, por exemplo, as ligas são bem maiores, existem mais emblemas nas competições europeias e até às restantes provas caseiras exigem maior número de jogos. Qual é o problema? Nenhum! Se calhar convém é não ter férias na altura do Natal, período em que até é mais fácil as pessoas se deslocarem aos estádios…

Sou a favor do alargamento também porque considero positivo, ainda por cima em tempos de crise, que mais clubes possam defrontar Benfica, FC Porto e Sporting; que mais emblemas recebam uma verba aceitável dos direitos televisivos, em contraste com a miséria que auferem na Liga Orangina. Se para muitos, maior número de jogos significa somente despesa mais avultada, eu vejo de outra forma: mais oportunidades para facturar na bilheteira, para angariar publicidade, para vender a marca, para fidelizar sócios e adeptos.

Dito isto, não me causa qualquer dor de cabeça saber que a edição 2012/13 das duas Ligas possa ter mais clubes. O que me aflige seriamente é saber que, para alguns espertos, a melhor maneira de realizar um alargamento é não ter descidas esta época. Não concordo e, pior, considero um convite à ilegalidade, às jogadas de bastidores. Quando se pretende moralizar o futebol, medidas destas surgem em sentido contrário.

Quem fica em lugares de descida... deve descer. Da mesma maneira, também não sustento a ideia de que devem ser despromovidos os dois últimos da liga principal para subirem quatro emblemas da Orangina – o que até poderia ser simpático para o meu Atlético. Se quando a época se iniciou só estavam previstos ascender dois clubes, parece ilógico que subam mais.

Penso que a melhor solução, por ser mais racional, ponderada e a única que, decididamente, não colocará em causa a verdade desportiva, é acertar agora o alargamento mas, só na temporada 2013/14 efectivá-lo. Para entrar em vigor já na próxima época, como defendia o novo presidente da Liga, só mesmo com a realização de uma liguilha (entre os dois últimos da Liga e os terceiro e quarto colocados da Orangina), solução entretanto rejeitada.

PS – Aqueles que consideram que, a meia dúzia de jogos do final da época, não há qualquer problema em anunciar que não teremos descidas estão, ainda que indirectamente, a dizer a vários emblemas para antecipar o fim de alguns contratos; para se “esquecerem” de cumprir os vínculos com os seus profissionais; para equacionar faltas de comparência quando uma deslocação for consideravelmente mais dispendiosa que uma multa e até a encorajar a “negociação” de resultados nos embates com os poucos clubes que ainda ficam a lutar por alguma coisa (título e acesso à Europa, na Liga; promoção, na Orangina), etc, etc. Não perceber isto é grave. Não admitir que tal seja possível… é pior.

 
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Comentários

# julio moreira disse em 13-03-2012 às 17h48

Boa tarde

Acho vergonhoso todo este folhetim, e desde o principio.

Não esqueçamos que foi, com base nesta permissa, que o actual Presidente foi eleito.

Pessoalmente não concordo com o alargamento e até sou favorável ao contrario.

Porque aquilo que penso o nosso futebol precisar é de uma Primeira Liga competitiva. E isso só se consegue aumentando a intensidade dos jogos.

Uma Liga com 12 clubes disputada a três voltas seria o ideal.

Depois é absolutamente incrivel como sendo o futebol uma actividade económica se decida um alargamento porque....sim.

Não houve qualquer estudo económico a sustentá-lo.

O fim da picada é a cereja em cima do bolo.

NINGUEM DESCE e isto com o campeonato a decorrer.

Enfim apenas mais um triste exemplo da mentira que é o nosso futebol.

# kurt C. disse em 13-03-2012 às 18h18

Infeslizmen-te isto é a politica que alguns querem para o futebol onde é so cozinhados,caldeiradas e peixeiradas.

Ao nivel do Pais................

# lfo disse em 13-03-2012 às 18h52

Em Inglaterra e Espanha existe muito mais dinheiro e muitas mais cidades com adeptos suficientes para encherem o estadio. Se acha que 'e por venderem mais 10 ou 15 mil bilhetes (se tanto) por ano 'e que os clubes vao poder ser viaveis financeiramente, entao temo que nao tenha estado muito atento 'a realidade dos 16 que vao compondo a primeira liga.

Financeiramente, o alargamento 'e mau para toda a gente. Desportivamente, nao penso que seja por isso que os principais clubes deixem de fazer boas campanhas na Europa. O que havera 'e um maior numero de jogos (mais 4 por cada equipa, para ser preciso) de baixo nivel, com uma equipa a tentar ganhar e outra a tentar nao sofrer golos.

Faz mais sentido, penso eu, reduzir a liga para 10 ou 12 equipas, fazendo tres voltas ou duas fases. O formato em si 'e secundario. O que interessa 'e que existiriam o mesmo numero total de jogos, mas muito mais jogos com verdadeiro interesse. E digo isto nao so pelo maior numero de jogos entre candidatos ao titulo, mas pelo facto de que as equipas medianas (aquelas que mais frequentemente ficariam entre os lugares 7-12) teriam forcosamente de jogar pela vitoria contra as equipas mais fortes se se quisessem manter na primeira liga.

# 1fckoln disse em 13-03-2012 às 19h27

vergonha!!!!!!!!!!!como é que se podem alterar as regras de uma competição quando faltam 8 jogos para acabar amesma competição

somo um pais de "xico espertos"...................................................

# SLBLX disse em 14-03-2012 às 11h09

O que se passa é patético.

E o argumento do cronista acerca de Inglaterra e Espanha é mais que batido e (ele sabe-o bem) irrealista, ao nível de uma autoestrada que ninguém usa ou qualquer outro tipo de elefante branco.

Essas ligas são de países com 40 milhões de pessoas!! Em que os adeptos de um clube de uma certa cidade, são APENAS adeptos desse clube e por isso enchem estádios de 20 MIL PESSOAS!.

Querer ser novo rico (como toda a gente em Portugal) quando afinal se é falido, é mais do mesmo.

Quer o cronista comparar essa realidade com a nacional, de apenas 10 milhões de habitantes, sendo que esses dez se dividem pelos 3 grandes, mais uns fanáticos do SCB e V. Guimarães, e os restantes deixam os estádios (muitos deles sobras do Euro) de 30 e 40 mil lugares ÀS MOSCAS que é como quem diz, com 1000 pessoas por jogo, e só enchem quando um grande lá vai, ou nem isso.

E vamos agora trazer mais dois clubes vagabundos da Orangina, para mais 4 jogos em campos de miséria com 500 pessoas a ver? E dividir o bolo das receitas ainda mais?

Enfim, no máximo uma liga a 16 idealmente a 14, e para os que dizem que isso é uma liga terceiro mundista, TEMOS PENA, MAS É ISSO QUE SOMOS. Temos 6 ou 7 bons clubes em Portugal, os que dão cartas lá fora, ou são pelo menos dignos, e depois temos 12 ou 14 equipas de miséria, ao nível do Chipre.

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Autor

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O gosto pelas letras, pelos jornais, começou cedo, antes de entrar na escola. A razão dessa paixão sempre foi um mistério. Aos 17 anos, depois de uma primeira tarde a experimentar ser jornalista, a decisão estava tomada. Era isto que queria. Foi há muito tempo...

 

 

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