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O Benfica tem o campeonato praticamente no bolso, depois da vitória no jogo do título, em que surpreendentemente o adversário não foi o FC Porto ou o Sporting, mas o Sp. Braga. Tratou-se de mais um passo da melhor equipa da atualidade, fruto de um trabalho estruturado, que começou na escolha criteriosa do plantel (as contas, os passivos ficam para análise posterior). O Benfica quer ser campeão e pagou bom dinheiro para tentar sê-lo, contratando grandes jogadores e um bom treinador.
Mas não se fez apenas de grandes vitórias – depois da final da Taça da Liga e do jogo de ontem, com os bracarenses – a semana do Benfica. Também se começou a esboçar uma derrota, e nesse caso particular deve ser o presidente do clube e da SAD a assumir as suas responsabilidades. Para quem sabia – e disso fez eco aos quatro ventos – que o controlo da Liga é fundamental, Luís Filipe Vieira adormeceu completamente na preparação do cenário eleitoral, ou foi demasiado crédulo nas suas capacidades para convencer Hermínio Loureiro a propor-se a novo mandato. Perante a renúncia do ainda presidente da Liga, o Benfica mostrou que nunca teve estratégia alguma para as eleições, ou seja, um candidato próprio, e ficou sujeito ao que aparecer. E, nesta altura, o melhor que há ainda é Fernando Gomes, ex-administrador da SAD do FC Porto, conhecido pelo seu passado truculento de ex-dirigente do basquetebol, mas dono de um perfil marcado pela competência na área económica.
Não deixa de ser curiosa a perda de sagacidade política de LF Vieira, numa altura em que até se tem notabilizado pelos seus comícios semanais nas casas do Benfica. Esta atitude de aburguesamento à sombra dos louros que a equipa dirigida por Jorge Jesus vai ganhando pode vir a ter os seus custos, a médio prazo. A não ser que haja coelho na cartola.
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